Wednesday, July 31, 2013

Paris in July



E para fechar o mês de Julho em Paris, tinha que fazer esse post super especial sobre a Torre Eiffel, símbolo mais que marcante dessa cidade linda.

Os jardins ao redor da torre estavam cercados para que ninguém pisasse na grama... Ao anoitecer, jovens, adultos, idosos, aproximavam-se dos jardins com suas cestas de picnic ou garrafas de vinho, champagne, e pulavam as cerquinhas para sentar na grama e admirar a Torre. Em poucas horas os jardins estavam todos tomados, difícil era achar um espaço vazio... todos aguardavam o piscar das luzes da torre que acontece a cada hora após o por-do-sol, por quinze minutos, até meia-noite.

Só tenho uma palavra para descrever o que é visitar Paris, sentar naquela grama e admirar a Torre Eiffel e suas luzes... sonho!

Julho em Paris chega ao fim, obrigada a todos que visitaram e comentaram, e que amam Paris assim como eu (e tantos outros!!). Não vejo a hora de voltar por lá e mostrar essa cidade encantadora para a minha Valentina.



Os blogs BookBath e Thyme for Tea há quatro anos realizam esse evento para blogs chamado Paris in July, onde durante o mês de julho (de 1° a 31) os blogs participantes criam posts fazendo referência a França. Visitem o blog delas para conferir links de outros blogs participantes e conferir outros gostinhos de Paris.

Saturday, July 27, 2013

Paris in July

O mês está quase acabando e quase não consegui passar por aqui para compartilhar mais sobre Paris...

A mãe da minha amiga Ju veio da Bahia passar umas semanas na California e durante um almoço aqui em casa veio a conversa sobre Paris... as caminhadas pelas Champs Élysées, os palácios, os museus... Louvre!

Ela disse que ficou mais de 6 horas na fila para ver a Monalisa! E quando chegou lá era tanta gente, tanto tumulto que ela quase nem viu nada. Gente eu teria desistido depois de 2 horas, primeiro porque, não que não admire Da Vinci, muito pelo contrário, mas há tantas outras pinturas magníficas no Louvre, tantos outros pintores famosos, que eu pularia a Monalisa e veria os outros.

Quando visitamos o Louvre, o salão onde a pintura da Monalisa fica estava completamente lotado, a pintura é minúscula em comparação ao tamanho da parede em que ela está exposta, e há uma parede de vidro protegendo o quadro contra os flashes das máquinas e humidade. Quando vi a multidão que teria que enfrentar só para chegar perto eu virei para o outro lado (eu vi sim a Monalisa, de longe mas vi!)... e ao virar para o outro lado do salão me deparei com uma pintura que ocupava a parede inteira, gigante, tão cheia de detalhes, imagina quanto tempo demorou para pintar um quadro daquele tamanho, e nem tinha muita gente admirando... impossível não notar o contraste!

Passamos quase o dia inteiro caminhando pelo Louvre e ainda assim só conseguimos ver um lado do museu, consegui ver as pinturas do meu artista favorito, Jan Vermeer, e fiquei feliz ao comprovar que seus quadros são tão belos pessoalmente quanto nas fotos... e quando caminhava buscando a saída, já quase sem conseguir andar me deparei com essa imagem de uma das janelas do segundo andar. Cada vez que penso no Louvre eu lembro dessa foto que tirei, que me faz sentir uma saudade tremenda e me dá uma nostalgia só de pensar em Paris...

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Thursday, July 11, 2013

Paris in July

Comprei esse livro alguns meses depois da minha viagem a Paris. Primeiro pensei que fosse um romance, julgando pelo título, mas a capa já entrega o conteúdo. David Lebovitz é autor de livros de sobremesas, e escreve para revistas gastronômicas... o livro é sobre suas aventuras sobre mudar de San Francisco para Paris, e as delícias culinárias de Paris preparadas e degustadas pelo mesmo, descritas de forma simples e engraçada. É um livro de receita cheio das opiniões e experiências de David.

Ainda não consegui sentar e ler o livro todo, afinal não é assim que se lê um livro de 'receitas', apesar que esse até que se poderia sentar, ler e morrer de vontade de voltar a Paris e experimentar todas as delícias mencionadas no livro. Uma delas experimentei em Paris, uma bebida deliciosa chamada Kir.

Meu preferido é o de pêssego... a receita é básica, 2 colheres de chá de licor de cassis, ou pêssego (framboesa, ou amora também são famosos)  com uma taça de champanhe ou vinho branco seco. O doce do licor é uma combinação perfeita para o seco do vinho branco ou da champanhe, o resultado é uma bebida refrescante, sem muito álcool, excelente para saborear com nozes, ou qualquer outra coisa que lhe der na telha.

Foto da nossa degustação de Kir em Paris. Sebastien (foto) e Laure, nosso casal de amigos franceses, nos apresentaram à bebida e ainda me presentearam com os licores quando vieram a California meses depois. Estou esperando parar de amamentar para experimentar com a minha Chandon que esta ali, aguardando seu momento de ser aberta!


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Monday, July 8, 2013

Paris in July

Falei de Amelie no post anterior, e Amelie me lembra outra delícia francesa que dá água na boca só de pensar... Crème Brûleé.

Não comi crème essa semana porque não consegui encontrar no Costco - e em virtude dos meus talentos culinários, não me atrevi a fazer - mas vale a lembrança e a vontade.

Assim como Amelie, amo quebrar a crosta de açúcar na superfície do crème e pra mim quanto mais tostadinho e crocante, melhor.

Quem ama Crème Brûleé levanta a mão! \O/

Bisu, bisu



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Wednesday, July 3, 2013

Paris in July

Sacre Coeur
Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos! Ha, tinha que ser francês...

Amelie foi lançado em 2001 e é um filme fantástico, além de espirituoso, tem uma comicidade ingênua, e um charme inocente.
Audrey Toutou dá um show de interpretação. Não tem como falar de Paris in July e não lembrar de Amelie Poulain e suas armações. Lindas cenas em Montparnasse!

Se ainda não viu, não sabe o que está perdendo!



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Monday, July 1, 2013

Paris in July

Quando voltamos da nossa viagem pela Europa em 2011, o marido e eu chegamos a conclusão de que Paris é o nosso lugar favorito de todo o mundo! Paris não é apenas romântica, é uma cidade linda, que exala cultura. Caminhar pelas ruas de Paris é se maravilhar a cada esquina, é não querer perder um só segundo. É andar até a exaustão mas não conseguir parar.

Minha amiga Nari havia viajado para lá durante sua lua-de-mel naquele mesmo ano, e também se apaixonou. Quando voltei e declarei meu amor por Paris, prometemos a nós mesmas que voltaremos lá assim que possível, e que dali em diante faríamos tudo que pudéssemos para não esquecer nossos momentos lá... foi quando lançaram o filme Midnight in Paris - escrito e dirigido pelo Woody Allen. Fomos os quatro - Nari e o marido, eu e o marido, ao cinema matar a nossa saudade de Paris assistindo esse filme que além de fofo, mostra tantos pedacinhos de Paris que nos tira o fôlego.

Se você ainda não viu, não sabe o que está perdendo!

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Monday, June 17, 2013

Catching Fire (Suzanne Collins)





''Não apenas nós, os distritos, somos obrigados a lembrar a mão de ferro de poder da Capital todo ano, como somos também forçados a celebrar. Terei que viajar de distrito a distrito, e me apresentar perante a multidão que aplaude mas me odeia secretamente, olhar no rosto das famílias das crianças que matei...'' (pag. 4)

Ao vencer The Hunger Games - Jogos Vorazes, Katniss pensava que seu papel naquela história acabaria ali. Que voltaria para a casa e tentaria esquecer o terror da arena. O que não imaginava é que após os jogos ela não exercia mais nenhum controle sobre sua vida. Ela agora compreende o comportamento de Haymitch. Capitol controla a vida, os passos e os pensamentos dos tributos vitoriosos.

Gale - apresentado ao país como primo de Katniss - começa a trabalhar nas minas de carvão. A família de Katniss não precisa mais da caça que os dois faziam na floresta, uma vez que Capitol provem moradia e alimentação, mas a família de Gale ainda precisa e com ele agora nas minas, Katniss decide substituí-lo nessa tarefa. Porém Katniss não é mais a mesma, os jogos a mudaram de tal modo que até o relacionamento com sua família foi alterado, e ela não se surpreende ao notar quão distante Gale se mantém.

Outro ponto que atormenta Katniss é o relacionamento com Peeta, que diferente dela, não percebeu que o romance era estratégia do jogo, e quando percebe também se distancia, os dois se tratam meio que com indiferença, meio que se esquivando da situação que é inevitável. Katniss, apesar de confusa, sabe que não tem os mesmos sentimentos de Peeta. Todavia, eles ainda são vistos como o casalzinho apaixonado do distrito 12, foi esse fato que os fez vencer o jogo, e é isso que a multidão dos distritos quer ver durante a Tour da Vitória.

''Seu estilista acabou sendo profético quando escolheu sua vestimenta. Katniss Everdeen, a garota em chamas, você começou uma faísca que, se não for isolada, pode crescer em um inferno que destrói Panem', disse ele. (pag. 23)

Presidente Snow pessoalmente visita Katniss e deixa claro sua posição e as consequências caso ela não obedeça suas recomedações. Ameaça sua família, Gale, e deixa claro que tem total conhecimento dos passos da moça e do joguinho com Peeta.

Para a surpresa de Katniss, suas atitudes deram início a uma rebelião interna em alguns distritos. Notícia que não é divulgada na mídia, controlada pela Capitol, por razões óbvias mas que Presidente Snow a deixa saber. Quando o Tour da Vitória começa, Katniss e Peeta testemunham manifestações e a violência usada pelos Soldados de Paz para assustar os rebeldes e encobrir os fatos.

No Distrito 12 também as coisas começam a mudar. O tal Romulus Thread é o novo chefe dos Soldados de Paz, que até então faziam vista grossa para o mercado negro onde bebida, caça e pesca eram trocados e vendidos por baixo dos panos. As cercas elétricas ao redor do distrito são consertadas e ligadas, Katniss percebe o círculo fechar, as leis serem cumpridas à risca, começando com a pena dada a Gale, pego em flagrante por Romulus tentando vender um peru - considerado crime grave punido com chicotadas ou até morte.

A influência de Katniss sobre os outros distritos é notória, e Presidente Snow tem ciência que suas ações também influeciam outros tributos vitoriosos. Por isso ele decide comemorar o 75° Hunger Games com participantes formados pelos vencedores mais recentes de cada distrito. Dessa forma ele elimina Katniss e os outros influenciados por ela. Não se pode negar a astúcia desse presidente, e o terror de Katniss por ter que voltar àquela arena responsável pelos seus mais temíveis pesadelos. Em contrapartida há a suspeita de que Distrito 13 (que havia sido bombardeado e exterminado durante a primeira rebelião dos distritos explicado no primeiro livro) tenha sobrevivido aos bombardeios, e a comunidade formada por sobreviventes (e provavelmente fugitivos de outros distritos) busca lutar contra Capitol e tomar o poder. Um grito por revolução.

Catching Fire (Em Chamas) não deixa a desejar ao continuar a saga de Katniss Everdeen. Suzanne Collins mantém a narrativa cheia de surpresas, emoção e comoção. Katniss compartilha com o leitor suas fraquezas, a angústia do peso que ela carrega - por horas ela até me parece suscetível demais, mas daí eu me dou conta que ela só tem 16 anos, é apenas uma menina cheia de devaneios, forçada a crescer em meio a toda aquela confusão interna e externa. Todavia, ela continua determinada, querendo ou não, sabendo ou não, ela se agarra ao destino que lhe espera e ao papel que lhe foi dado.

E se preparem porque o final tem um super gancho fisgando para o próximo, e último, livro...

O filme será lançado em Novembro de 2013, e a julgar pelo teaser trailer podemos esperar que promete! Não vejo a hora de assistir, o que provavelmente só acontecerá quando chegar em DVD no Netflix já que minha Valentina não nos permite mais ir ao cinema com frequência. Ou melhor, não nos permite period. (rs)

Saturday, June 15, 2013

Poema de Sábado

Acredito que estava da 6ª série quando declamei esse poema numa peça da escola na semana do Meio Ambiente. Lembro que competi com um garoto pelo papel e ganhei porque consegui encenar e entonar melhor as frases do poema de Bandeira - vocês não tem noção da menina tímida que era! Memorizei cada linhazinha por mais de um mês e ensaiamos semanas e semanas para essa apresentação. Enquanto eu declamava Bandeira, meus colegas de classe se movimentavam pelo palco encenando, como se minhas palavras estivessem tomando forma bem ali, diante de mim e dos espectadores. Minha mão suada, minhas pernas tremendo, olhava para minha professora esperando o ok para começar. Comecei. Lembro vagamente de ver alguém sinalizando para eu levantar o microfone mais perto da boca. Recitei essas linhas tão intensamente, veio tão de dentro de mim que no final ajoelhei no chão ao dizer as últimas palavras... ''era um homem''. Esse poema vive comigo até hoje, tantas vezes durante esses mais de dez anos me peguei recitando essas linhas na minha mente e lembrando de alguém fazendo o gesto para levantar o microfone... e eu nervosa mas bravamente declamando Manuel Bandeira.

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.


Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.


O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.

Friday, June 14, 2013

Paris em Julho 2013

Os blogs BookBath e Thyme for Tea há quatro anos realizam esse evento para blogs chamado Paris in July, onde durante o mês de julho (de 1° a 31) os blogs participantes criam posts fazendo referência a França. Não há regras ou alvos a alcançar em termos de quantidade ou conteúdo específico para participar - é necessário apenas bloggar sobre tudo o que der na telha contanto que tenha uma ligação com algo francês ou sobre a França. Algumas idéias para esse mês podem incluir por exemplo:
- Ler um livro francês - ficção ou não-ficção
- Assistir um filme francês
- Ouvir música francesa
- Cozinhar uma comida francesa
- Experimentar a arte francesa, arquitetura ou viagem (relembrar uma viagem)
- Ou qualquer outra inspiração de cunho francês que se possa pensar...

Se quiser participar, passa no blog BookBath para informa-las, escolhe seu meme, coloca no seu blog o link delas e voilà! Não vejo a hora de compartilhar minha paixão pela França com vocês, afinal Paris é minha cidade favorita e uma grande amiga minha é francesa, minha amada Laure.



Thursday, June 13, 2013

The Hunger Games (Suzanne Collins)


Assim como muitos, eu fui fisgada por essa trilogia da Suzanne Collins. Não tinha a menor idéia do enredo da história até me ver sentada na sala do cinema para assistir esse filme cujo título me chamou tanta atenção - The Hunger Games (Jogos da Fome, ou, na versão brasileira: Jogos Vorazes).

O filme é excitante e causa muita tensão, na minha opinião os personagens foram bem escolhidos, só gostaria que o Josh Hutcherson fosse um pouco mais alto porque ele fica tão desproporcional a  Jennifer Lawrence, mas talvez tenha sido essa a intenção para mostrar a fragilidade de Peeta em comparação a Katniss! (rs).

No entanto, achei que alguma coisa faltava naquela história, sentia que precisava entender melhor... e por isso comecei a ler os livros que estavam vendendo como água!
Gente, o filme nem se compara ao livro, tem tanto da história que foi deixado de lado - aquela velha história de não caber tudo em algumas horas de filme - e olha que o filme até que é longo! A realidade é que é um desperdício não ler os livros e apenas ver os filmes. Suzanne Collins é uma escritora talentosíssima, de uma imaginação incrível. A narrativa é bem escrita e engajadora, cheia de adrenalina, você não consegue parar de ler.

''Quando eu era mais nova, quase matei minha mãe de susto com as coisas que deixava escapar sobre o Distrito 12, sobre as pessoas que governavam nosso país, Panem, daquela cidade longínqua chamada Capitol. Eventualmente entendi que isso só nos traria mais problemas. Então aprendi a segurar minha língua e mudar minhas feições para uma máscara indiferente para que ninguém conseguisse ler meus pensamentos.'' (pag. 6)

Como punição pela rebelião dos distritos num determinado momento histórico, o governo de Panem decide criar os jogos da fome, onde cada um dos 12 distritos enviam um menino e uma menina - chamados de tributos - para uma arena na Capitol na qual lutarão pode várias semanas até que reste apenas um sobrevivente. Os jogos acontecem todo ano e são transmitidos ao vivo pela televisão para todos os distritos. Os nomes dos participantes são sorteados - usando as regras do sistema chamado de colheita - e aclamados pela colorida Effie Trinket. Os 'sortudos' são levados para Capitol e recebem um breve treinamento e instruções de seu tutor (o último, ou único, vencedor de seu distrito) de como sobreviver na arena, ou como conseguir patrocinadores.

''O sistema de colheita é injusto, com os pobres ficando com a pior parte. Você se torna elegível ao completar doze anos. Naquele ano, seu nome é colocado uma vez. Aos treze, duas. E assim vai até você atingir os dezoito anos, o ano final da elegibilidade, quando seu nome é colocado sete vezes. Essa é a realidade para cada cidadão de cada um dos doze distritos do país de Panem.
Mas aqui está o perigo. Digamos que você é pobre e morto de fome como nós somos. Você pode optar por adicionar seu nome algumas outras vezes em troca de tesselas. Cada tessela equivale a um fornecimento insignificante de grãos e óleo para uma pessoa por um ano.'' (pag. 13)

Prim, que acaba de completar doze anos, tem seu nome colocado pela primeira vez, e acaba sendo escolhida. Katniss Everdeen, nossa protagonista, narradora, e irmã mais velha de Prim, se oferece para ir no lugar da irmã. Peeta Mellark é o menino escolhido.

Katniss é uma heroína fantástica, destemida, determinada. Lisbeth Salander de arco e flecha! Após a morte do pai numa explosão da mina de carvão, é Katniss que vira a chefe da família, uma vez que a mãe entra em depressão e deixa as duas filhas a mercê da pobreza. Mesmo proibidos de trespassar os muros do distrito, Katniss e Gale cruzam as cercas de arame farpado e buscam refúgio na floresta onde pescam, caçam e colhem frutos que mais tarde vendem ou dividem entre si para alimentar suas respectivas famílias. Gale... o charmoso Gale!

É possível que haja um sentimento escondido da parte cada um, no entanto nada é verbalizado. São melhores amigos, confidentes, como irmãos. Tem os mesmos princípios, buscam os mesmos objetivos com a mesma determinação. Gale é grande responsável pelas habilidades de Katniss, muito do que ele a ensinou, ela usará para sobreviver na arena.

Haymitch Abernathy é o tutor de Katniss e Peeta, único sobrevivente do distrito 12 ainda vivo. Bêbado e mau-humorado logo de início bate de frente com Katniss.

''Peeta suspira. ''Bom, tem essa garota. Eu tenho uma queda por ela há tanto tempo que nem sei quanto. Mas eu tenho certeza que ela nem sabia que eu estava vivo até o dia da colheita.'
(...)
'Então, olha aqui o que você pode fazer. Você ganha, vai para casa. Ela não vai te desprezar depois disso, não é?' diz Caesar encorajando.
'Não acho que vá dar certo. Ganhar... não vai ajudar no meu caso', diz Peeta.
'E porque não?' diz Caesar, mistificado.
Peeta fica tão corado quanto uma beterraba e gagueja. 'Porque... porque... ela veio comigo'.'' (pag. 130)

É aqui que a história dá uma reviravolta. Após essa última entrevista antes de entrar na arena, Peeta muda o destino dele e de Katniss. Haymitch tenta agora vender a história dos apaixonados do distrito 12 na busca de patrocinadores, na tentativa de salva-los. O problema é que a astúcia de Katniss não escapou os olhos do Presidente Snow. Notando uma certa rebeldia no comportamento da nossa heroína, e já prevendo as consequências, Snow tenta mexer seus pauzinhos para que Katniss seja eliminada logo do jogo. O que ele não contava é com a simpatia que Katniss causou no público, e como em todo reality show, é a audiência que comanda o resultado final.

Eu recomendo muito essa trilogia, lembro que virou uma febre no trabalho, eu e minha chefe não conseguíamos parar de ler, cada minutinho livre que eu tinha lá estava eu no breakroom lendo The Hunger Games. Cada capítulo termina como um gancho, puxando o leitor para o próximo, e a curiosidade não permite esperar. Suzanne Collins sabe como prender o leitor de forma magnífica. Sem falar que os personagens são cativantes, todos, muito bem desenvolvidos. E quem não ama um personagem assim? Forte, determinado, surpreendente? Difícil é não gostar! ''Possa a sorte estar sempre ao seu lado!''.

''A voz de Gale na minha mente. Seus delírios contra a Capitol não são mais sem sentido, não podem mais ser ignorados. A morte de Rue me força a confrontar minha própria fúria contra a crueldade, a injustiça que eles infringem sobre nós. Mas aqui, ainda mais forte do que em casa, eu sinto minha impotência. Não há nenhum jeito para se vingar da Capitol. Há?'' (pag. 236)

Wednesday, June 12, 2013

The Dry Grass of August (Anna Jean Mayhew)



Confesso que escolhi esse livro por causa da capa. Gente, que capa linda! Até hoje não consigo parar de olhar.

A história faz jus a capa do livro. É contada em primeira pessoa por nossa protagonista June Watts - Jubie - e tem como tema central a segregação racial da década de 50 no Sudeste dos Estados Unidos vista pelos olhos dessa menina de 13 anos.

Jubie é uma narradora perfeita e uma personagem super carismática. Diria além... ela é uma observadora nata, inteligente, humana, seu temperamento e comportamento são o oposto da delicada Stell (irmã mais velha e queridinha da família). Jubie sofre nas mãos do pai que a espanca sempre que tem uma chance - essas cenas são tão bem narradas que o leitor sente as dores com ela, a cada batida do cinturão, da fivela do cinto nas pernas dela dá aquele aperto no coração.

''Mary veio trabalhar conosco quando eu tinha cinco anos, a primeira pessoa de cor que conheci. Estudei aquela mulher alta que ocupava nossa cozinha, ocupada na pia ou na máquina de lavar ou passando roupa. Seus dedos grossos, marrons em cima e claros na parte de baixo, tecia as crostas das tortas de maçã, trocava as fraldas da minha irmãzinha mais nova, e carregava cestos de roupa molhada. Quando me pegou espiando detrás da porta da cozinha, ela acenou.'' (pag. 31)

Segunda filha de um total de 5, Jubie cresce sob os cuidados da criada negra Mary, também muito carismática, que tem praticamente o papel de mãe, e faz por aquelas crianças o que a mãe nunca tem tempo de fazer, dar amor.

Mama, Jubie, os irmãos e Mary viajam da Carolina do Norte para a Flórida para passar as férias de verão de 1954 com o Tio Taylor. Durante a viagem Jubie percebe com mais evidência a pressão de ter uma negra como parte do grupo, e tragicamente se vê testemunha do quão cruel o ser humano pode ser. Jubie e Stell tem sua inocência roubada pelos eventos daquela noite que poderiam ter sido evitados não fosse a insistência de Stell.

A história é forte, o leitor vira testemunha do crescimento do personagem de Jubie no decorrer da narrativa e acompanha com ela os dramas de uma família desestruturada e que luta para manter as aparências. Temas como alcoolismo, infidelidade, racismo (claro), impunidade vão aparecendo ao longo da história, e Jubie se vê diante de um mundo que não lhe dá tempo para aprender, seu amadurecimento é forçado, e o aprendizado é árduo, mas ela é corajosa e faz o que pode para honrar a memória daqueles que ama.

Gostei da história, a leitura é rápida e agradável (apesar dos temas do enredo), no entanto, esse tema é abordado em tantos livros que no final senti que a história não era nova. Não sei se foi porque eu havia lido recentemente The Secret Life of Bees (A Vida Secreta das Aberlhas) da Sue Monk Kidd, daí teve o filme The Help (A resposta), também baseado no livro homônimo da Kathryn Sockett. Então o assunto ficou um tanto saturado para mim. Mas é como o tópico do holocausto né, há sempre uma forma diferente de relatar, um outro aspecto para apresentar, e não quer dizer que não vale ler. Claro que vale!
''O pastor voltou-se para olhar para o homem. 'Essa é a verdade, diácono Hull. Ódio matou nossa irmã. Mas a vida de amor que ela viveu triunfará sobre o pecado que a tirou de nós'.'' (pag. 228)

Monday, June 3, 2013

A vida íntima de Laura (Clarice Lispector)

''Peço a você o favor de gostar logo de Laura porque ela é a galinha mais simpática que já vi. Vive no quintal da Dona Luísa com as outras aves. É casada com um galo chamado Luís. Luís gosta muito de Laura, embora às vezes brigue com ela. Mas briguinha à toa.'' (pag. 9)

Se tem alguém que sabe agradar a gregos e troianos - adultos e crianças - essa é Clarice Lispector! Em A vida íntima de Laura, Clarice compartilha segredos e aventuras dessa galinha simpática e burra, com muito humor e imaginação, abordando assuntos como morte, discriminação e valores.

Um excelente clássico da Literatura Infantil Brasileira que apresentei a minha Valentina, presente do vovô Natan... apesar de ser um pouco longa para infantes, eu divido a história em 2 ou 3 dias, dependendo do nível de agitação dela. Agora que está com quase 5 meses ela consegue se concentrar mais, observando e passando a mão nas figuras... ela se diverte! As ilustrações de Odilon Moraes em tons pastéis são magníficas, grandes e chamativas, eu amei e a Valentina mais ainda!

Video da minha irmã lendo A vida íntima de Laura para Valentina.

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Wednesday, May 8, 2013

Bel Canto (Ann Patchett)

Um país emergente da América do Sul decide fazer uma festa de aniversário para o magnata japonês Sr. Hosokawa, com o intuito de chamar a atenção do empresário para investir naquele país. Para ter a certeza de que o convite não seria negado, o país também convida Roxane Coss, uma cantora de ópera muitíssimo famosa, e de quem Sr. Hosokawa é um fã incondicional. Convite aceito, são colocados na lista tantos outros nomes poderosos... diplomatas, políticos, cientistas e médicos famosos, gente de todas as partes do mundo.

Roxane Coss encanta a audiência, todos estão hipnotizados por sua voz melodiosa. Até que a festa é invadida por terroristas locais que tomam os convidados como reféns.

''Além de sofrer o que os outros sofreram, Sr. Hosokawa carregava o fardo da responsabilidade. Todas essas pessoas haviam vindo para sua festa. Por concordar a comparecer a uma festa a qual ele sabia ter pretensões falsas, ele contribuiu a pôr em perigo a vida de cada um naquele lugar.'' (pag. 31)

Após negociações com a polícia e a Cruz Vermelha, crianças, mulheres e doentes são liberados, com exceção de Roxane Coss. Ela era valiosa demais para deixa-la ir, os sequestradores acreditavam que seus pedidos seriam acatados se a mantivessem em cativeiro, que as negociações correriam mais rapidamente porque o mundo exigiria uma finalização rápida desse evento.

Dias, semanas, meses se passam... a mídia já não dá mais atenção ao sequestro, já havia virado notícia velha. Sequestradores e reféns desenvolvem um convívio cordial, criando vínculos de amizade, outros vínculos amorosos. Pessoas tão diferentes, de costumes, crenças, níveis sociais se misturam numa simbiose estimulante... mantendo no centro a soprano Roxane Coss.

Confesso que esperava mais de Bel Canto. Li porque está na lista da Rory Gilmore. Apesar de ser interessante analisar a progressão psicológica dos personagens e seu comportamento durante o sequestro, a história fica monótona, o sequestro se arrasta pelo livro todo e já não via a hora de acabar. Esse pra mim foi daqueles livros que eu verificava quantas páginas faltavam até acabar e não tem coisa pior que ler um livro esperando pelo fim.

Eu gostei do estilo de escrita da Ann Patchett, apesar de o foco ser a soprano Roxane Coss, ela desenvolve bem os personagens e no fim você sabe a condição de cada um, seus sentimentos, ânsias e medos, mas ao mesmo tempo ela te surpreende com as ações deles, de tal modo que o final foi mais do que inesperado... eu diria mais, foi surpreendente (e não digo isso no positivo).

''A mulher que você ama é uma garota que se veste como um garoto e mora numa aldeia na floresta, cujo nome você não pode saber, não que saber o nome ajudaria de alguma forma se tentasse encontra-la. A mulher que você ama guarda sua arma ao lado de um bote azul escuro para que você possa ensina-la a ler. Ela entrou na sua vida pela tubulação do ar-condicionado e como ela sairá é uma pergunta que lhe mantém acordado durante o pouco tempo livre que tem para dormir.'' (pag. 203)

Monday, May 6, 2013

Sarah's Key (Tatiana de Rosnay)

''Há um mês mais ou menos, sua mãe costurou estrelas em todas as suas roupas. Em todas as roupas da família, exceto as do irmãozinho. Antes disso os documentos de identidade da família haviam sido carimbados com as palavras 'Judeu' ou 'Judia'. E então, haviam todas as coisas que, de uma hora para a outra, eles não eram mais permitidos fazer. Como brincar no parque. Como andar de bicicleta, ir ao cinema, ao teatro, ao restaurante, à piscina. Como não ser mais permitido a emprestar livros da biblioteca.'' (pag. 25)

Sarah Starzynski tem dez anos quando ouve a polícia bater na porta de sua casa. Com medo do que pode acontecer com o irmão, esconde-o numa passagem secreta atrás do armário da cozinha e promete voltar o mais rápido possível para salvá-lo. Sarah sabe que corre contra o tempo, o que ela não sabe é que a família está sendo levada para um campo de concentração e as chances de que sairá de lá são extremamente remotas. Em seu bolso ela guarda a chave do esconderijo onde seu irmão a espera.

Julia Jarmond é uma jornalista americana que mora em Paris, casada com o charmoso e arrogante, Bertrand - membro de uma família rica e tradicional francesa - e mãe de Zoe. O jornal em que Julia trabalha lhe dá a missão de escrever um artigo sobre os eventos de Julho de 1942 - ''Os aprisionamentos em Vélodrome d'Hiver. Vel' d'Hiv é a abreviação. É um estádio coberto famoso onde havia corridas de bicicleta. Milhares de famílias Judias, presas lá por dias, em condições apavorantes. E depois enviadas para Auschwitz. Para as câmaras de gás.'' (pag. 27)

A história de Sarah é contada em paralelo a de Julia, sabe-se que há uma ligação entre as duas mas o mistério é mantido por mais da metade da história, na verdade, até quase o final. É preciso preparar os lencinhos porque há capítulos bem fortes, daqueles que te deixam acordada a noite ao lembrar... Tatiana de Rosnay não poupou o leitor das atrocidades cometidas contra os judeus durante aquele período e os fatos são relatados do ponto de vista de Julia, uma americana, contra os franceses, simbolizados pela família do marido.

Muito é falado sobre o holocausto em Auschwitz, do papel dos alemães, mas pouco se fala sobre a contribuição de outros países que perseguiram os judeus residentes em suas terras, e os mandaram para campos de concentração. Eu não tinha idéia do papel da França nesse momento histórico, e o silêncio do povo francês depois para 'apagar' de sua história o papel sujo que tiveram.

Julia se vê obrigada a buscar a verdade mais profunda dessa história, encontrar Sarah e pedir desculpas pelas improbidades cometidas a ela e sua família, pelo sofrimento causado. Como se o perdão de Sarah pudesse aliviar a culpa que sentia pela participação da família do marido nesse episódio. Ao investigar os acontecimentos de Julho de 1942, Julia descobre que não é apenas a França que prefere esquecer aquele período, a família Tezac também guarda um segredo a sete-chaves que prefere não trazer a tona.

O filme foi lançado em 2011, não assisti e ninguém que conheço assistiu. Se você viu, compartilhe aqui o que achou, por favor. Julgando pelo trailer até que parece bom, não?




''Ela nunca fala sobre Beaune-la-Ronde. Nas raras vezes que dirigimos perto da vila, ela fica pálida. Ela vira a cabeça para o outro lado e fecha os olhos. Pergunto-me se um dia o mundo saberá. Se a verdade virá a tona, sobre o que aconteceu ali. Ou se continuará um segredo para sempre, enterrado no passado obscuro, perturbador.'' (pag. 196)

Wednesday, May 1, 2013

The Girl in the Green Raincoat (Laura Lippman)

Tess Monaghan é uma detetive particular super frenética e viciada em trabalho, que se vê confinada a sua casa - e cama - após complicações com sua gravidez não planejada. Para lidar com o tédio, encontra conforto na observação do eventos do mundo que se passam diante de sua janela, como, por exemplo, a jovem de casaco verde que caminha com seu cachorro no mesmo horário (e com mesmo casaco) todos os dias. Até que um dia Tess vê o cachorro perambulando solto porque sua dona havia desaparecido.

''Crow tomou o telefone da mão dela gentilmente. Oh, ele sempre foi gentil, não foi?, exceto quando seu esperma estava invadindo os portões do diafragma de alguém, enganando o espermicida e puxando seu caminho no círculo dos vencedores, 1 chance em 99 perfurou o óvulo destraído dela, criando essa pessoa-a-ser que a colocou grudada nessa cadeira de vime.'' (pag. 2)

Curiosidade é característica congênita de todo investigador, portanto Tess jamais conseguiria deixar esse pequeno detalhe de lado. Ela está determinada a descobrir o que aconteceu com a garota do casaco verde. Usando de sua intuição e, logicamente, seu talento para investigação, ela decide, contra tudo e contra todos, desvendar o mistério do desaparecimento de dentro de seu próprio quarto.

Tess é uma personagem super engraçada, ficou grávida do namorado Crow por acidente, e já logo no início a gravidez se mostrou uma pedra em seu sapato, especialmente para ela viciada em seu trabalho. Após o 'desaparecimento' da garota de casaco verde, cria as teorias mais especulativas possíveis sobre o que poderia ter acontecido, mal sabia ela que seus pesadelos só estavam começando e logo Tess se vê envolvida numa teia de morte e outros crimes, colocando sua vida e a do seu bebê em risco.

The Girl in the Green Raincoat (A garota da capa de chuva verde) é uma leitura curta e rápida, mas a história não é lá muito original - vale ressaltar que esse é o livro #11 dessa série de romance policial Tess Monaghan da Laura Lippman. Quanto terminei tive aquela impressão de que já havia lido ou visto a história antes, mas dei altas gargalhadas com as armações da Tess e as tiradas sobre maternidade são ótimas. E quem se arrepende de algumas gargalhadas? Eu não...

''Esse tem sido o refrão cantado desde quando sua gravidez foi anunciada. Ah céus, sua vida vai mudar.  Usualmente dito com alegria e antecipação. Mas frequentemente há também uma ponta de malícia nessa frase, uma vibração tipo miséria-ama-companhia que Tess achava perturbadora. Restaurantes nunca mais, sua amiga Jackie, mãe solteira de uma garotinha, anunciou. É isso mesmo, restaurantes de verdade nunca mais. Não verás guardanapo de pano por pelo menos dez, quinze anos. Outros premeditaram fim de noites bem-dormindas, sexo, viagens, leitura, casa limpa, e roupas limpas.'' (pag. 124)

Monday, April 29, 2013

The Language of Flowers (Vanessa Diffenbaugh)

The Language of Flowers (A linguagem das flores) foi o primeiro livro publicado por Vanessa Diffenbaugh, e lançado aqui nos Estados Unidos em 2011.
Acredito que a descrição na orelha do livro explica profunda e poeticamente o seu conteúdo: ''A história de uma mulher cujo dom com as flores ajuda a transformar a vida de outras pessoas enquanto ela luta para superar seu passado''.

''Estou falando da linguagem das flores', disse Elizabeth. 'Da era Victoriana, como seu nome. Se um homem desse um buquê de flores para uma jovem, ela correria para casa e tentaria decifra-la como uma mensagem secreta. Rosas vermelhas significam amor; amarelas infidelidade. Portanto um homem teria que escolher suas flores cuidadosamente.'' (pag. 29)

Órfã, Victoria Jones passou a infância sendo jogada de um lado para o outro por famílias de criação (passou por 32 famílias até completar 18 anos!). Rebelde, logo que as Assistentes Sociais encontravam um novo lar, Victoria usava de seus melhores atributos para se distanciar e fazer com que as famílias a devolvessem... até que se deparou com Elizabeth. Elizabeth também havia perdido os pais cedo, há anos não falava com a única irmã, e havia um segredo pesado em seu peito, segredo pelo qual a impediu de ter tido sua própria família.

Quando Victoria é colocada aos cuidados de Elizabeth, esta promete nunca desistir. Caso ficassem juntas por um ano, Elizabeth teria a chance de adotá-la legalmente. Após tantos anos sozinha, ela encontra a chance de experimentar a maternidade, de sentir que há alguém no mundo a quem possa direcionar todo aquele amor guardado por tanto tempo. Ela persiste apesar da rejeição de Victoria que fundo no fundo também quer ser amada e aceita, mas sua vida tem marcas demais para deixar que alguém se aproxime. Sentir o que é ser querida, saber o que é ter uma mãe, ter uma família, no fundo é isso que Victoria deseja mas ela não sabe como agir porque simplesmente nunca aprendeu - Não se pode dar o que nunca se teve.

O gelo começa a ser quebrado quando Elizabeth começa a ensina-la a linguagem das flores, que havia aprendido com seus pais. Agora Victoria tem como expressar através das flores o que não consegue verbalizar. O que ela não esperava é que Elizabeth também tivesse um passado. Com medo de perde-la e com ciúmes das marcas que ocupam espaço no coração da mãe, Victoria toma um passo impensado, só que o feitiço vira contra o feiticeiro e Victoria se vê levada mais uma vez pelo Serviço Social. Perde Elizabeth mas não perde a nova linguagem que aprendeu, e é esse novo idioma que a salva quando completa a maioridade e não mais pode ser amparada pelo governo.

Renata jamais imaginou o rumo que sua floricultura tomaria após contratar aquela moça calada, cheia de mistérios. Renata percebeu logo no início que Victoria era moradora de rua, assim como também percebeu o dom que ela tinha.

''Earl veio hoje', ela disse. 'Ele me pediu para te dizer que sua neta ficou feliz - ele disse que era importante que eu dissesse 'feliz' e não outra palavra. Ele disse que você fez algo com as flores para que isso acontecesse.'' (pag. 46)

Achei The Language of Flowers belamente escrito para um romance debutante, sem contar que ela nos presenteia com um dicionário de flores no final do livro! Victoria Jones faz o leitor viver uma montanha-russa de emoções, prepare a caixinha de lenços porque não há como não derramar lágrimas ao acompanhar a tragetória da nossa heroína tão profundamente humana. A história, que se passa aqui em San Francisco, vai se revelando em camadas, os capítulos se intercalam entre passado e presente. O personagem de Victoria foi muito bem desenvolvido, não sei se por experiência intrínseca, uma vez que Vanessa Diffenbaugh é mãe de criação (foster parent), ou por talento cabal. Só sei que os personagens são envolventes e causam simpatia de uma forma ou de outra.

Victoria Jones, mesmo passando por um mar de experiências, tem um ar bucólico. Uma melancolia se arrasta por muitos capítulos. É devastador... especialmente se você for mãe e ao chegar naquela parte e reconhecer os sintomas de Depressão Pós-Parto, você quer gritar, implorar para que ela levante, peça ajuda, respire fundo, por que está fazendo isso? Esquece o passado, dá uma chance para o futuro... daí o coração enche de esperanças. E assim vai a cada capítulo, você torce, você reclama, você quer sacudi-la para que acorde para a vida, você se emociona com o impacto que as flores causam na vida das pessoas, acreditem elas ou não, elas voltarão com um sorriso no rosto e compartilharão... Depois de ler esse livro, você jamais verá flores da mesma maneira!

Friday, April 26, 2013

The Happiest Baby on the Block (Harvey Karp)

E olha eu aqui finalmente!
Li The Happiest Baby on the Block - O bebê mais feliz do pedaço - do pediatra Harvey Karp, M. D. por recomendação do pediatra da Valentina, ela tinha apenas 3 semanas e começando aquela fase de choros durante a noite. Após ler o livro, tive a certeza que todas as mães deveriam ler, ou pelo menos tomar conhecimento sobre as recomendações do Dr. Karp (ele começou seus estudos sobre bebês em 1970!), nem que seja apenas por desencargo de consciência, para tentar ajudar nossos pequenos nessa fase reconhecida como a fase das cólicas.

Antes de mais nada, devo dizer que eu li, pratiquei, e funcionou com a Valentina. Não aconteceu de um dia para o outro, é preciso persistência e paciência mas funciona, funciona mesmo se for levado a sério. Outro ponto que devo mencionar para os que desejam ler o livro é que após alguns capítulos fica um pouco repetitivo, as recomendações são simples e poderiam ser explicadas de maneira mais breve, não precisava ter se estendido por todas as 260 páginas, mas ainda assim há outras dicas e testemunhos de pais de como eles usaram os 5 passos na sua própria maneira, o que funcionou ou não para seus filhos. Há também dicas do que fazer e como reconhecer se seu bebê tem cólicas por motivos como intolerância a lactose, refluxo de suco gástrico, necessidade de arrotar, excesso de estímulo, etc.

Dr. Karp começa explicando a sua teoria do por quê os bebês sofrem de cólicas nos primeiros 3 meses fora do útero materno. Durante a nossa evolução, nós homo sapiens tivemos nosso quadril diminuído para que nos adaptássemos a nossa nova vida bípede, por essa razão os bebês humanos nascem 3 meses antes do tempo, para que seja possível passar pelo canal uterino durante o parto. Como os cangurus, nossos bebês são forçados a crescer fora do útero por 3 meses, só que diferente dos cangurus, não temos o saquinho na barriga para agasalha-los e mantê-los com aquela sensação de que ainda estão dentro da barriga da mamãe. Eis o motivo das cólicas, uma vez que nossos bebês não têm a chance de ter o quarto trimestre, eles sentem falta do ambiente que tinham dentro do útero materno.

Imagina você, cuidado com carinho, ninado, alimentado, aconchegado durante 9 meses dentro da barriga da mamãe, e de uma hora para outra... bum! luzes, te puxam, te empurram, te seguram pelas pernas, alguém enfiando um negócio dentro da sua boca que você é forçado a chupar, você faz xixi e coco em fraldas, e te colocam para dormir numa cama (o que é uma cama?) sozinho, num silêncio tedioso, sem aquele balanço suave da mamãe caminhando, andando com você dentro da barriga. É um trauma!

''Vamos regressar ao tempo que o feto ainda estava na barriga e ver a vida pelos olhos dele. (...) Lá na sua placenta pulsante; como um restaurante vinte e quatro horas, servindo seu feto um banquete constante de comida e oxigênio.
No centro, num lugar de honra, está seu bebê precioso. Protegido da fome, germes, vento frio, animais malvados, e irmãos indisciplinados pelas paredes aveludadas da sua barriga.'' (pag. 63)

E o que fazer para diminuir esse impacto após a expulsão? Utilizar os 5 S's para imitar as sensações do útero. Vale ressaltar que os passos abaixo devem ser usados após alimentar e trocar a fralda dos bebês, quando estiverem preparando para dormir, preferivelmente seguindo a mesma ordem pelo menos para os 3 primeiros passos. Eis aqui os 5 S's do Dr. Karp:

1. Swaddling - como na figura abaixo, swaddling é o ato de enrolar o bebê de modo que seus braços e pernas fiquem restritos, como num pacote, impedindo o Reflexo Moro - aquela sensação de estar caindo que acontece até mesmo conosco quando adultos, e é ainda mais intensa com bebês por não terem coordenação motora. Pode-se usar um cobertor ou manta quadrado (como na foto), ou, no meu caso eu usei o SwaddleMe (vendido ai no Brasil sob o mesmo nome, um cueiro ajustável para enrolar bebês -  veja aqui) porque meu marido nunca acertou enrolar a Valentina direitinho com o cobertor.
Não desista se seu bebê estiver chorando e chorar ainda mais depois que enrola-lo nas primeiras vezes, esse passo vai ajudar a acalma-lo para que preste atenção nos passos seguintes.

Se enrolar o bebê com o cobertor, recomenda-se usar
uma fita adesiva para assegurar a última ponta do
pano para que não se desenrole - Pag. 126
2. Side/Stomach = Lado/Estômago - para bebês agitados ou já em estado de choro, a pior coisa é coloca-los deitados de costas ou segura-los nessa posição, Dr. Karp recomenda segura-los de lado, ou de bruços em seu braço - como na foto abaixo. Meu antebraço é curto, então de bruços não funcionou comigo apenas com o marido, mas de lado funcionou e ainda funciona.

Pag. 126

Atenção: Embora as posições de lado e de bruços ajudem a acalmar os bebês, a Academia Americana de Pediatria recomenda nunca colocar bebês para dormir de bruços, apenas de costas. Estudos mostram que bebês que dormem de bruços tem maiores chances de asfixia e de SIDS, ou em português, Síndrome da Morte Súbita Infantil (leia mais sobre essa síndrome aqui).
''Numa vitória gigante para as famílias, conseguimos diminuir o índice de mortalidade por SIDS de seis mil bebês por ano para três mil e quinhentos, só pelo fato de colocar bebês para dormir de costas.'' (pag. 131)
3. Shhh = Xiiiii - isso mesmo, chegar pertinho do ouvido do seu bebê e fazer xiiii, xiiii, xiii. O volume do xiii deve acompanhar o volume do choro. Esse ato ativa o reflexo que acalma os bebês porque imita o som que ouviam no útero, do sangue da mãe sendo transportado pelas veias e artérias, e das batidas do coração. Segundo pesquisas, esse som uterino equivale ao barulho de um aspirador de pó, ou o secador de cabelo. Imagina passar 9 meses ouvindo um secador de cabelo 24 horas por dia, e sair do útero para um silêncio tedioso? Bebês detestam silêncio! Depois pode também ser usado músicas de ninar, sons suaves. Valentina agora dorme ouvindo as ondas do mar.

4. Swinging = Balançar - agora que seu bebê está enroladinho, de lado no seu colo, e você está xiiiiiando ele, comece a balança-lo de um lado para o outro, ou levemente para cima e para baixo, ou, caso já esteja calminho, pode fazer como os exemplos 2 e 3 na foto abaixo. Lembre-se que esse passo é para balançar, não chacoalhar seu bebê para não causar danos cerebrais (leia sobre a Síndrome do Bebê Sacudido aqui).

Pag. 127
5. Sucking = Sugar ou chupar - segundo Dr. Karp, chupar acalma e é saudável porque diminui o nível de stress e estimula a liberação de um químico no cérebro dos bebês que alivia a dor e diminui sofrimento. Chupar também diminui o risco de SIDS, ou em português, Síndrome da Morte Súbita Infantil (leia mais sobre essa síndrome aqui). De acordo com Dr. Karp, bebês só se acostumam com hábitos após o quarto mês, e ele aconselha a parar de usar chupeta entre 4 e 6 meses para que não aumente o risco de infecção no ouvido. Eu estava relutante para usar a chupeta, no início preferi dar o peito ao invés mas meu marido acabou me convencendo, e convencendo a Valentina a usar. Ela estava usando direto até que descobriu os dedinhos, já faz 5 dias que ela recusa a chupeta e prefere os dedinhos, e ela já se acalma sozinha usando-os, então estou feliz.

- Passos 3, 4 e 5 devem ser repetidos até o bebê dormir.

Valentina usando o swaddling
de cobertor no hospital
Demorou por volta de 3 semanas para a Valentina se acostumar com os outros 4 passos porque swaddling me ensinaram no hospital então ela já ficava enroladinha desde que nasceu. Nas primeiras 2 semanas eu não quis usar a chupeta então ela demorava as vezes 2 horas para cair no sono mas começou a dormir por 3 horas seguidas (imagina você xiando e balançando por 2 horas toda noite! quase cavei um buraco no chão do meu quarto andando de um lado para o outro). Assim que introduzimos a chupeta também comecei a criar uma rotina para ela - fazendo praticamente as mesmas coisas nos mesmos horários: ir para o quarto por volta de 8:30, diminuir as luzes, trocar fralda, mamar, ler um livro, swaddling, chupeta, ligo a musiquinha com o barulho do mar, carrego de lado, xiii, balanço... o tempo diminuiu para 40, 30 minutos em poucas semanas, e antes mesmo de ela completar 2 meses ela já estava dormindo por pelo menos 5 horas seguidas!

Valentina agora está com 3 meses e meio, dorme por pelo menos 6 horas seguidas durante a noite, o máximo até agora foram 10. Tivemos que parar de usar o swaddle porque ela já está virando de lado, ficamos com medo dela de repente virar de bruços e sufocar. Mas mesmo ela não dormindo mais enrroladinha sigo os outros 4 passos e são poucas as vezes que temos que nina-la por mais de 15 ou 20 minutos até que caia no sono.

''Quanto mais você amar e abraçar seu bebê, mais confidente e resiliente ele se tornará''. (pag. 69) 

Saturday, April 20, 2013

Poema de Sábado

In the Garret
No Sótão

(...)
Four little chests all in a row,
Quatro bauzinhos enfileirados,
Dim with dust, and worn by time,
Escurecidos com poeira, e gastos pelo tempo,
Four women, taught by weal and woe
Quatro mulheres, ensinadas por conforto e aflição
To love and labor in their prime.
A amar e trabalhar no seu auge.
Four sisters, parted for an hour,
Quatro irmãs, separadas por uma hora,
None lost, one only gone before,
Nenhuma perdida, uma apenas partiu antes,
Made by love's immortal power,
Feitas pelo poder do amor imortal,
Nearest and dearest evermore.
Próximas e queridas sempre.
Oh, when these hidden stores of ours
Oh, quando esses nossos segredos
Lie open to the Father's sight,
Abertos forem aos olhos do Pai,
May they be rich in golden hours,
Possam eles ser ricos  em momentos dourados,
Deeds that show fairer for the light,
Obras que se mostram mais juntas diante da luz,
Lives whose brave music long shall ring,
Vidas cuja música brava tocará por longo tempo,
Like a spirit-stirring strain,
Como um espírito que sacode a tensão,
Souls that shall gladly soar and sing
Almas que alegremente  planarão e cantarão
In the long sunshine after rain.
Pelos raios do sol depois da chuva.


Poema by Jo March
do livro Little Women (Louisa May Alcott), 
pags. 452-453

Saturday, April 13, 2013

Poema de Sábado

In the Garret
No Sótão

Four little chests all in a row,
Quatro bauzinhos enfileirados,
Dim with dust, and worn by time,
Escurecidos com poeira, e gastos pelo tempo,
All fashioned and filled, long ago,
Decorados e preenchidos, anos atrás,
By children now in their prime.
Por crianças agora no seu auge.
Four little keys hung side by side,
Quatro chavezinhas penduradas lado a lado,
With faded ribbons, brave and gay
Com laços desbotados, bravos e felizes
When fastened there, with childish pride,
Quando ali colocados, com orgulho de criança,
Long ago, on a rainy day.
Anos atrás, num dia chuvoso.
Four little names, one on each lid,
Quatro nomezinhos, um em cada tampa,
Carved out by a boyish hand,
Encravados por uma mão com jeito de menino,
And underneath there lieth hid
E lá embaixo jaz escondido
Histories of the happy band
Histórias da banda feliz
Once playing here, and pausing oft
Que um dia lá brincou, e pausando frequentemente
To hear the sweet refrain,
Para ouvir o doce refrão,
That came and went on the roof aloft,
Que vinha e ia no telhado acima,
In the falling summer rain.
Da chuva de verão que caía.

Poema by Jo March
do livro Little Women (Louisa May Alcott), 
pags. 450-451

Monday, April 8, 2013




Tenho lido Little Women da Louisa May Alcott há pouco mais de um mês, quase no fim, e já não quero que a história termine. Comprei esse livro há alguns anos, quando a Borders estavam fechando suas portas e me perguntava porque estava demorando tanto para ler porque eu amo o filme e já assisti tantas e tantas vezes... hoje sei. Por que agora sou mãe, estou lendo com outros olhos. Essa história é tão linda, trata de tantos tópicos sensíveis que sei que se tivesse lido antes não teria dado o mesmo valor que dei ao ler nesse meu momento. O filme, apesar de muito bom, não retrata nem a metade do que acontece no livro e há muita alteração.

A mãezona Sra. March aborda com tanta sabedoria e sutileza assuntos como religião, relacionamentos, criação de filhos, etc., pobreza e morte, aconselha de forma tão simples e amorosa que por vezes me pego desejando ter a mesma mansidão e sabedoria quando tiver que discutir esses assuntos com a minha Valentina.

Meg, Jo, Beth e Amy tornaram-se parte da minha vida nesse último mês, e quando acordamos de manhã eu pergunto logo da Valentina... ''Queres saber o que aquelas meninas estão aprontando hoje? Vamos saber?''

E assim eu começo meu dia... lendo Little Women para a minha Valentina.