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Tuesday, November 10, 2009

Say you're one of them (Uwen Akpan)

Ganhei esse livro de presente de aniversário, havia visto no site da Border's na manhã anterior e a foto da capa me chamou atenção, fora que foi uma das escolhas do Clube do Livro da Oprah Winfrey... curiosidade pra saber do que se tratava me fez lê-lo ASAP.

O autor, Uwen Akpan é um padre Jesuíta nascido na Nigéria, recebeu MFA (Master in Fine Arts) em Escrita Criativa pela Universidade de Michigan em 2006 e "Say you're one of them" é seu primeiro livro, lançado em Junho de 2008, super aclamado, por sinal!

O livro é um conjunto de short stories (5 no total), histórias duras e sofridas narradas por crianças de várias partes da África. Não espere final feliz e hoolywoodiano porque Akpan revela a brutal realidade vivida por muitas e muitas crianças africanas, sem amenizações... a única certeza é a incerteza em relação ao futuro que espera os personagens.

Quando penso em África, penso em miséria, fome, morte. Akpan fala disso e muito mais e dá voz às crianças africanas e deixa o leitor de coração apertado ao ler o que o ser humano é capaz de fazer devido as privações, miséria, por causa de conflitos religiosos ou por dinheiro.

A última história, e a que dá nome ao livro, trata de conflitos inter-tribais/raciais, se é que podemos chamar assim... é uma das mais tristes - Os pais de Monique são de tribos diferentes e quando a guerra entre as tribos começa, o pai (Papa) se vê entre o dilema de honrar sua tribo e seus ancestrais e matar a esposa ou ser morto por sua prórpia família - "Say you're one of them - Diga que és um deles" - é o conselho dado por Maman (a mãe) para Monique e para seu irmão para evitar que sejam massacrados no conflito por seus familiares.

"Meu marido, seja homem", Maman enterrompe, olhando para o chão.
"Meu marido, você me prometeu."
(...) Ele se abaixa e fecha os olhos de Maman com as mãos trêmulas.
(pag. 35)
O que eu não curto muito em short stories é que quando você está entrando no clima da história ou conhecendo melhor os personagens, a história acaba, e como, no caso de "Say you're one of them" as histórias terminam com destinos incertos, fiquei com aquela sensação de impotência, de vazio, sabe?

É um livro com histórias de imenso impacto, Akpan soube como passar seu ponto de vista sobre os problemas que testemunha no seu país através dos olhos das crianças narradoras e personagens com compaixão e coragem, é comovente!

Wednesday, November 4, 2009


"(...) Ele descobriu que o homem precisa de afeto, que a vida sem o aquecimento do amor nada mais é do que uma roda seca, que range e roça nas curvas"
(Victor Hugo, O corcunda de Notre-Dame. Pag. 145)

"Happiness is only real when shared... A felicidade só é real quando compartilhada"

(do filme Into the Wild - Na Natureza Selvagem (post aqui), foi a crua verdade descoberta por Christopher McCandless no final da sua jornada pelo Alaska... pena que já era tarde demais)





Em homenagem a todos aqueles que acreditam que "All we need is love, love is all we need" e porque estou indignada com tanta guerra e falta de amor e respeito!

Friday, October 30, 2009

Pride and Prejudice and Zombies (Jane Austen & Seth Grahame-Smith)

Bom, como amanhã é Halloween, tomei coragem para vir aqui e falar de Pride and Prejudice and Zombies.

Preciso dizer de antemão que não estou nessa onda de vampiros, zumbis, lobisomens e tudo mais que tá super em alta ultimamente. Minhas amigas já me pediram resenha sobre Lua Nova, Crepúsculo, etc, mas sinto dizer que não me servem de inspiração para leitura, não é a minha praia!

Porque li Pride and Prejudice and Zombies, então? Porque sou super-hiper-fã da Jane Austen, e Pride and Prejudice (resenha aqui) é um dos meus livros/filmes favoritos e porque não tinha idéia do que fariam com a história... Mania que tenho de não ler os resumos da contra-capa!

Então... em Pride and Prejudice and Zombies temos todos os antigos personagens mas em versão carnificina e com direito a gravuras! Elizabeth Bennet é uma "samurai", bem como as irmãs, e lutam para defender a Coroa e suas terras contra os terríveis comedores de cérebro que durante os períodos de seca, rompem o solo e saem de seus túmulos.

Agora imagina uma Elizabeth duplamente ironica e durona, com músculos de anos de prática nas artes marciais chinesas, usando sua espada para degolar os zumbis... e o pior, para a nova Lizzy, livros são coisas de mulherzinha!

Mr. Darcy foi ensinado pelo renomado mestre japonês (que esqueci o nome, que ironia!) e é aqui que se trava o preconceito para com Lizzy, porque Darcy vê os ensinamentos chineses como inferiores. Nessa versão, Elizabeth não apenas nega o pedido de casamento de Darcy, como também lhe dá uma bela surra com toda sua habilidade nas artes chinesas.

Lady Catherine de Bourgh é a mais famosa samurai em Londres, sua fama como defensora do trono é conhecida por toda Inglaterra e após conhecer Lizzy, a critica pelo ensino inferior... deveria ter ido para o Japão, não para a China... sua mansão é protegida pelos melhores samurais do mundo, que viram presunto ao lutar com Lizzy, o que quase acontece também com a Lady Catherine, se não fosse pelo sentimento de Lizzy por Darcy.

A parte engraçadíssima, na minha opinião, diz respeito a Charlotte Lucas... a coitadinha foi atacada por um zumbi e contaminada com a praga, a única solução para que não morra no caritó (como diz minha avó) é casar com Mr. Collins. Só Elizabeth percebe a transformação de Charlotte, ela vai envelhencendo, a pele deteriorando, a fala cada dia mais debilitada (pior que o Cebolinha!!!) e a pobre comia cérebros escondidos para que Mr. Collins não percebesse - aquele marido zeloso que presta atenção na esposa, né? Após a visita de Lizzy, a transformação se completa e Lady Catherine é a responsável pela execução. Mr. Collins se enforca numa árvore e a família Bennet não corre mais risco de perder a casa.


Lá pela metade do livro não via a hora de acabar, "ai meu Deus, em que buraco me meti!" foi o que pensei... como consequência, assisti o filme por 1 semana, todos os dias... (sem brincadeira, pergunta do marido!)... só pra livrar minha mente daquela cena grotesca onde Mr. Darcy e Lizzy se casam para juntos defender suas terras daqueles seres horrorosos...

Leiam se gostarem, aposto que tem muitos que gostaram ou vão gostar, nem que seja para Halloween! rs.


PS: esqueci de mencionar que nessa sequência zumbilândica, há também o Sense and Sensibility and the Sea Monsters... vai que alguém queira ler!

Tuesday, October 27, 2009


"(...)ele se viu diante da estranha opção de ir tomar seu lugar no buraco da janela da capela, nem que fosse apenas pelo prazer de fazer uma careta para aquela multidão ingrata. 'Mas não,' ele disse para si mesmo, 'isso seria indigno; vingança não! Lutaremos até o fim. O poder da poesia sobre as pessoas é enorme. Conseguirei trazê-los de volta. Veremos qual dos dois vencerá - caretas ou belas-letras."
(O Corcunda de Notre-Dame, Victor Hugo - pag. 50)


Estava lendo a entrevista do Secretário de Segurança do Rio de Janeiro sobre a violência na cidade - após a derrubada do helicóptero da PM pelos traficantes - a entrevista me fez lembrar desse trecho de "O Corcunda de Notre-Dame" com a sutil ironia de Victor Hugo sobre a Política do Pão e Circo.

Dá a Copa do Mundo, dá Olimpíadas e o brasileiros esquecem da Guerra Civil no RJ, esquecem a desmatação da Amazônia, a corrupção descarada em Brasília, do sistema de saúde falido, dos analfabetos funcionais...

E Victor Hugo lá atrás em 1830 (por aí) já ironizava os franceses por terem memória seletiva em relação aos assuntos que realmente importam para a nação... mas logicamente que Pão e Circo nos remete ao Séc. III durante Império Romano... dá os gladiadores, joga pão que os romanos esquecem toda a miséria que vivem e ainda adoram o imperador!

Não é de indignar que uma prática tão antiga ainda seja usada?
E o pior, a população ainda cai! Dizem que nada se cria, tudo se copia... Tá na hora de copiar outras idéias porque ESSA levou o Império Romano a decadência e a França a uma Revolução...

Revolução... talvez seja isso mesmo que nós, brasileiros, precisamos!

Wednesday, October 21, 2009

Basta o primeiro passo...

Toda mudança de compartamento começa com uma idéia, quando a idéia é posta em prática... eis o que acontece...



Wednesday, October 14, 2009

The Time Traveler's Wife (Audrey Niffenegger)

Estava super ansiosa para comentar sobre esse livro, principalmente porque ainda tive tempo de ver o filme antes de sair dos cinemas para fazer uma comparação!


The Time Traveler's Wife (A esposa do viajante do tempo) bregamente traduzido para português como Te Amarei para Sempre - ainda com o terrível erro gramatical - conta a história de Henry DeTamble e Clare Abshire, os narradores-personagens.


Henry tem um problema... ele viaja pelo tempo. A primeira viagem acontece aos 4 anos quando à caminho do aeroporto, Henry e a mãe sofrem um acidente de carro. Mais tarde descobre-se que é uma doença cerebral, meio que comparada a epilepsia, Henry não tem controle sobre quando vai acontecer ou para onde vai mas sabe-se que há uma relação das viagens com forte tensão ou stress. Outro detalhe é que Henry não pode mudar nenhum acontecimento do passado, porque de fato, eles já aconteceram.


O modo como a autora apresenta a história, apesar de interessante, por vezes deixa o leitor confuso. Voltando no tempo, indo para o futuro, escrevendo sobre o presente. Tive que re-ler alguns capítulos e checar as datas para que os acontecimentos fizessem sentido.

No início tem-se a impressão que existem 2 Henrys - o que na verdade, é verdade - existe o Henry do presente - que ainda não conhece Clare, que trabalha na biblioteca Newberry, que é mulherengo, alcoólatra e festeiro - resultado do trauma da perda da mãe durante a infância e o abandono do pai após a morte da mãe; e o Henry do passado/futuro, que é o experiente, inteligente, viciado em livros, protetor e que viaja pelo tempo vivendo as mais loucas situações possíveis (não esquecendo que apenas o corpo viaja, roupas e acessórios ficam para trás... o que significa que ele chega nu, peladinho com a mão no bolso, aonde quer que vá e isso é sempre um enorme problema, não importa em qual época ou estação!).

Algumas vezes o Henry do passado/futuro viaja para o presente e encontra o seu EU do presente e trocam experiências (mas o Henry do futuro/passado evita contar o que vai acontecer consigo ou com outros!) - sei que parece doido, e é, mas vai por mim que o livro é daqueles que não se quer parar de ler.

Quanto mais para o futuro a história chega, melhor se entende alguns estranhos fatos contados no início e as peças do quebra-cabeça se encaixam - para isso é preciso ter boa memória!


O Henry do passado/futuro conhece Clare quando ela tem apenas 6 anos e acompanha seu crescimento durante suas viagens, ensina, protege e ajuda a moldar o caráter daquela que no futuro (dela) será sua esposa e no presente (dele) já é. Aqui ele tem uma vantagem sobre Clare, por já saber o destino dos dois.

Dois anos se passam sem que os dois se encontrem, e Clare sabe que a próxima vez que se encontrarem, ela conhecerá o Henry do presente.
(pag. 152-153)

"Eu não sou exatamente o homem que ela conheceu na
infância. Sou uma quase aproximação, que ela guiará sorrateiramente em direção ao EU que existe nos olhos da sua mente"


Quando Clare e Henry se encontram no presente, os papéis se invertem... Henry agora é o passivo, aquele que deverá aprender sobre si e que terá o caráter moldado e mudado por Clare... para fazer do Henry do presente o Henry do futuro (aquele que ela conheceu no passado... rs, ótimos trocadilhos!).

O que pode parecer uma vantagem muitas vezes é um peso porque deixa Henry totalmente vulnerável. Como ele não tem controle nenhum sobre onde irá, ele acaba vivendo um fato 2x, sofrendo duplamente (ok, tendo algumas alegrias duplamente também!), também não se sabe se ele vai parar nu na sala de casa ou no meio da rua durante o inverno em Chicago, num frio de -10º.

É muito fácil se identificar com os personagens, principalmente após o casamento, na chamada "vida a dois" quando o casal descobre as peculiaridades do parceiro, até então desconhecidas - Clare ouve Joni Mitchel e Henry, Shaggs (quando não estão juntos). Henry cozinha, Clare lava roupa - Henry consegue comer a mesma comida por 3 noites seguidas, Clare tem seus momentos de solitude e precisa ficar sozinha.
Na última página Niffenegger colocou um trecho da Odisséia de Homero e depois me toquei que realmente muito da história de Henry e Clare faz lembrar Odisseus e Penélope.

É uma versão moderna da Odisséia onde Henry, como Odisseus se vê obrigado a deixar sua esposa e viajar pelo tempo, é incontrolável, as aventuras são tamanhas, algumas perigosas, algumas nem tanto. Percalços são inúmeros mas o intuito é sempre o de voltar para casa e encontrar sua amada, que o espera pacientemente (virtude feminina, seria?).

O filme - confesso que estava esperando por decepção mas me enganei. Eric Bana não é o Henry ideal mas não posso reclamar, mas devo dizer que, para quem não leu o livro, o filme vai ser confuso e provavelmente não fazer muito sentido, por isso é melhor ler o livro... o filme é bem superficial nas características de cada personagem (Henry é viciado em Literatura - come, dorme, vive Literatura e Clare compartilha e mesma paixão - isso não se vê no filme - fora todos os incentivos à leitura e arte, enfim, ao erudito, ao intelecto, etc.).

O filme também distorce alguns fatos e ameniza outros e cortaram personagens tão importantes do livro, mas felizmente não mudaram o final!





Audrey Niffeneger é professora da Universidade de Columbia em Chicago. The Time Traveler's Wife é seu primeiro livro, lançado em 2003.

Thursday, October 8, 2009

By the Light of my Father's Smile (Alice Walker)

Comprei By the Light of my Father's Smile - Pela Luz do Sorriso de meu Pai, em português - por causa do título, dizem que não se deve julgar um livro pela capa (literalmente!) mas julguei que seria interessante e me decepcionei!


A história é narrada pelo Sr. Robinson, pai de Susannah e Magdalena. O detalhe é que Sr. Robinson faleceu de ataque cardíaco, e é durante seu enterro que a história começa, então a história é contada por um "narrador-fantasma", se é que isso existe! (rs)

O início é interessante - Sr. e a Sra. Robinson são antropólogos e ateus mas aceitam trabalhar como pastores de uma igreja numa cidade do México chamada Mundo, com o simples propósito de usar o dinheiro da igreja para estudar a cultura daquele povo.
Susannah é a doce e amigável filha, sempre teve uma forte ligação com o pai e Magdalena é o oposto - selvagem, obstinada, impulsiva. A hipocrisia do pai não foi o problema, o que afetou Magdalena e Susannah foi o fato de que o pai, sempre amoroso e amigável, acabou se transformando em um puritano e num desses ataques, espancou Magdalena por desconfiar que a filha esteria se relacionando com Manuelito. Esse é o ponto da história que muda o destino de todos os personagens.
Magdalena cria uma aversão ao pai e se indigna com a mãe por não tê-lo deixado após o ocorrido, por mais que Susannah tente perdoar o pai, Magdalena faz questão de sempre lembrar seu trauma e evitar a reaproximação da família.

Para preencher o vazio da infância perdida, Magdalena usa a comida, a armagura a torna vazia e solitária. Susannah não consegue criar raízes, está sempre a procura de algo que a preencha. Quando o livro começa, ela está casada com Petros (seu marido grego) mas logo se divorcia e engata um romance homossexual com Pauline, o que também não dura muito tempo e no fim acaba casando com o cunhado (irmão do ex-marido).

Sr. Robinson, narrador onipresente, e ao que tudo indica onisciente, narra desde as expressões de Susannah durante seu velório às relações sexuais da filha com o ex-marido e Pauline...

A autora então, mistura superstição com espitirismo, e ainda faz apologia à maconha enquanto prega suas ideologias políticas nas entrelinhas!
"A erva perfeita, na minha experiência,
disse Susannah, é sempre plantada por mulheres. Sempre plantada com amor. É uma planta que responde aos sentimentos" (pag. 173)

Decepcionante!

Extremamente decepcionante pra quem leu Alice Walker em "The Color Purple" - A Cor Púrpura, não dá para acreditar que ambos os livros são de mesmo autor.

A mensagem que a autora tenta passar se perde entre tantos assuntos alheios adicionados aos diálogos e faz o leitor perder o foco da narrativa.

Não recomendo!

Sunday, October 4, 2009

Into the Wild


Vi esse filme pela primeira vez em 2008, comprei o DVD e assisti ontem novamente, num daqueles dias que você sente que precisa de inspiração, sabe?

Into the Wild - Na Natureza Selvagem, em português - foi um livro de Não-Ficção, lançado em 1996 por John Krakauer e adaptado para os cinemas em 2007 com direção de Sean Penn.

A história, baseada em fatos reais, conta a jornada de Christopher McCandless em direção ao Alaska.

Nascido em uma família de classe-média em Virgínia, Christopher se rebela contra a hipocrisia e mediocridade dos pais para manter as aparências sociais.

* Foto: Google Images

"Tantas pessoas vivem infelizes e ainda decidem não tomar iniciativa para mudar sua situação porque estão condicionados a uma vida de segurança, conformidade, e conservadorismo, tudo o que parece dar paz de espírito, mas a realidade é que nada é mais perigoso para o espírito aventureiro dentro de nós, que um futuro seguro. O núcleo básico do espírito do homem é sua paixão por aventura. A alegria da vida vem dos encontros com novas experiências, e portanto não há maior alegria do que ter uma infinita mudança de horizonte, do que cada dia ter um diferente e novo
sol."
(Christopher McCandless)
Ao terminar a faculdade, parte em sigilo para sua aventura em busca de liberdade e auto-conhecimento, desfazendo-se de todos os seus bens materiais. Tendo como propósito o Alaska, Christopher, que adotou o pseudônimo de Alexander "SuperTramp" caminha, literalmente, por 2 anos em direção ao seu alvo, faz amigos e faz história, e tem Tolstoy, Louis L'Amour e Thoreau como companheiros inseparáveis!

"Rather than love, than
money, than fame, than fairness, give me truth"
-
"Mais que amor, que dinheiro, que fama, que leadade, dê-me a verdade"
(David Henry Thoreau)
O filme é inspirador, emocionante e toca profundamente aqueles, que como Christopher sofreram com pais repressivos, ou que projetam nos filhos aquilo que não puderam ser, ou qualquer que seja o conflito familiar vivido na adolescência. A intensa busca pelo EU, pelo QUEM realmente sou.

Embora o filme exagere um pouco nas aventuras de Chris e nos conflitos domésticos, poucas alterações foram feitas em relação ao livro, Sean Penn merece as aclamações pelo sucesso do filme, indicado ao Oscar em 2 categorias e vencedor do Globo de Ouro pela Melhor Canção Original.

"Por dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade suprema. Um extremista. Um viajante estético cuja casa é a estrada. Escapou de Atlanta. Embora não mais deverá voltar, porque 'o oeste é o melhor.' E agora após dois anos de divagação vem a final e maior aventura. A batalha climática para matar o falso ser dentro de mim e vitoriosamente concluir a peregrinação espiritual. Dez dias e noites de carona o trazem para o Grande Norte Branco. Para não mais ser envenenado pelas moscas da civilização, e caminha sozinho sobre a terra para se tornar perdido na natureza selvagem."
(Alexander SuperTramp - Maio 1992)




Thursday, October 1, 2009







Presente é ótimo, e todo mundo gosta...

Ganhei esses 3 selos como mimo da Laura do blog Mil Livros Mil Idéias. Obrigada, Laura!
Requisitos para o selo: Seu blog é um doce!
1. Link do blog que me indicou:
2. Indicar blogs para receber o selo:
- Abrir-se em Flor
- Cia do Livro
- The novel world
3. Citar características minhas:
- Metódica
- Temperamental
- Reservada
- Leitora compulsiva
- Boa motorista
- Perfeccionista
- Apaixonada, sempre
4. Citar doce preferido:
- Toffee Thins
Requisitos para selo: Esse blog é show!
1. Indicar blog que o repassou:
2. Palavras que qualifiquem seu blog:
É um pouco de mim... só!

Tuesday, September 29, 2009

The Great Gatsby (F. Scott Fitzgerald)


Fui apresentada ao Gatsby na faculdade através do filme. Decidi ler o livro porque além de ser um clássico, conhece-se mais sobre os personagens lendo o livro do que nos curtos 60 e poucos minutos de um filme.


"Então use o chapéu de ouro, se isso a moverá;
Se puder saltar alto, salte alto por ela também,
Até que ela grite 'Amado, chapéu-de-ouro, amado alto-saltador,
Preciso ter você!' "
(Thomas Parke D'Invilliers)

James Gatz era o nome legal de Jay Gatsby, mudado quando tinha 17 anos, período em que começou sua carreira, que por sua vez iniciou quando conheceu Dan Cody, seu melhor amigo e mentor.

Seu passado escondia sua pobreza, "conheceu" as mulheres cedo, e por ter sido estragado por elas, tornou-se desdenhoso: das jovens virgens porque eram ignorantes, das outras por serem histéricas.

Seu coração estava em constante tumulto, mas com a ajuda de Dan Cody, de quem herdou 25 mil dólares (o que na época - 1925 - era uma fortuna), visava um futuro promissor.

Enquanto no exército, conheceu Daisy. Encantou-se. A primeira "boa" garota que ele conheceu na vida. Nunca tinha visto uma casa tão bonita, mas o que o excitava mesmo era o fato de Daisy já ter sido amada por vários homens.

Na época, Gatsby era um pobretão sem passado, fingia ser o que não era. Percebendo que poderia ser desmascarado a qualquer momento, decidiu aproveitar cada momento, insaciável e inescrupulosamente. Porém, deu a Daisy a falsa impressão de segurança, fazendo-a acreditar que ele, Gatsby, pertencia ao mesmo nível social que ela, sendo completamente capaz de sustentá-la.

Sem perceber, apaixonou-se. Apaixonaram-se. Gatsby parte com o exército, tenta voltar para Daisy mas acaba indo para Oxford. As cartas chegam cada dia mais desesperadas. Daisy é fraca demais para enfrentar as pressões do mundo. Era jovem e sua vida artificial aos poucos apaga seus sentimentos por Gatsby. Poucos meses após a chegada de Tom Buchanan a Long Island, Daisy e Tom se casam.

Gatsby só precisava de um motivo para correr atrás do futuro que o esperava. Acumulou uma imensa fortuna, cuja fonte ninguém sabia e muito se especulava. Morava em uma mansão às margens do rio, de onde avistava a mansão de Daisy e Tom e buscava oportunidade para encontrá-la. Suas festas eram famosas mas Daisy nunca aparecia.

A história é narrada por Nick, primo de Daisy que coincidentemente alugou uma casa ao lado da casa de Gatsby, e é exatamente Nick o responsável pela reaproximação dos dois (contra sua vontade, diga-se de passagem).

O simbolismo da história gira em torno dos Olhos Gigantes do Doutor T. J. Eckleburg, o que deveria ser uma enorme placa de propaganda de um oftalmologista... eram gigantescos olhos azuis, sem face, com um par de óculos amarelos seguros por um nariz inexistente. Os Grandes Olhos testemunham vários eventos na história (das traições de Tom Buchanan aos pensamentos macabros de George), são como os olhos de Deus vistoriando a vida dos mortais.

O que marca na história de Gatsby é o impulso, a determinação do personagem, todos os seus passos até o reencontro têm como destino tê-la de volta. Apesar dos meios escusos usados para conseguir sua fortuna, Gatsby tem um coração puro, sua fortuna é imensa mas seu coração é vazio e carente por Daisy, tem muitos conhecidos e poucos amigos que guarda com afeto, Nick se tornou um deles.

O contraste entre Daisy e Gatsby faz o paralelo na história. Daisy é fútil, nasceu, cresceu e sempre viveu na riqueza e com poucos valores morais, não tem caráter, casou com Tom porque era rico e influente,seria ela capaz de deixar o marido por Gatsby, que apesar de rico, não tem passado, não tem história?



"Eles são pessoas negligentes, Tom e Daisy - eles esmagam coisas e criaturas, e depois se escondem no seu dinheiro e vasta negligência, ou qualquer coisa que seja que os mantem juntos, e deixam que outras pessoas limpem a sujeira que fizeram..."

(pag. 179)

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