Wednesday, May 8, 2013

Bel Canto (Ann Patchett)

Um país emergente da América do Sul decide fazer uma festa de aniversário para o magnata japonês Sr. Hosokawa, com o intuito de chamar a atenção do empresário para investir naquele país. Para ter a certeza de que o convite não seria negado, o país também convida Roxane Coss, uma cantora de ópera muitíssimo famosa, e de quem Sr. Hosokawa é um fã incondicional. Convite aceito, são colocados na lista tantos outros nomes poderosos... diplomatas, políticos, cientistas e médicos famosos, gente de todas as partes do mundo.

Roxane Coss encanta a audiência, todos estão hipnotizados por sua voz melodiosa. Até que a festa é invadida por terroristas locais que tomam os convidados como reféns.

''Além de sofrer o que os outros sofreram, Sr. Hosokawa carregava o fardo da responsabilidade. Todas essas pessoas haviam vindo para sua festa. Por concordar a comparecer a uma festa a qual ele sabia ter pretensões falsas, ele contribuiu a pôr em perigo a vida de cada um naquele lugar.'' (pag. 31)

Após negociações com a polícia e a Cruz Vermelha, crianças, mulheres e doentes são liberados, com exceção de Roxane Coss. Ela era valiosa demais para deixa-la ir, os sequestradores acreditavam que seus pedidos seriam acatados se a mantivessem em cativeiro, que as negociações correriam mais rapidamente porque o mundo exigiria uma finalização rápida desse evento.

Dias, semanas, meses se passam... a mídia já não dá mais atenção ao sequestro, já havia virado notícia velha. Sequestradores e reféns desenvolvem um convívio cordial, criando vínculos de amizade, outros vínculos amorosos. Pessoas tão diferentes, de costumes, crenças, níveis sociais se misturam numa simbiose estimulante... mantendo no centro a soprano Roxane Coss.

Confesso que esperava mais de Bel Canto. Li porque está na lista da Rory Gilmore. Apesar de ser interessante analisar a progressão psicológica dos personagens e seu comportamento durante o sequestro, a história fica monótona, o sequestro se arrasta pelo livro todo e já não via a hora de acabar. Esse pra mim foi daqueles livros que eu verificava quantas páginas faltavam até acabar e não tem coisa pior que ler um livro esperando pelo fim.

Eu gostei do estilo de escrita da Ann Patchett, apesar de o foco ser a soprano Roxane Coss, ela desenvolve bem os personagens e no fim você sabe a condição de cada um, seus sentimentos, ânsias e medos, mas ao mesmo tempo ela te surpreende com as ações deles, de tal modo que o final foi mais do que inesperado... eu diria mais, foi surpreendente (e não digo isso no positivo).

''A mulher que você ama é uma garota que se veste como um garoto e mora numa aldeia na floresta, cujo nome você não pode saber, não que saber o nome ajudaria de alguma forma se tentasse encontra-la. A mulher que você ama guarda sua arma ao lado de um bote azul escuro para que você possa ensina-la a ler. Ela entrou na sua vida pela tubulação do ar-condicionado e como ela sairá é uma pergunta que lhe mantém acordado durante o pouco tempo livre que tem para dormir.'' (pag. 203)

Monday, May 6, 2013

Sarah's Key (Tatiana de Rosnay)

''Há um mês mais ou menos, sua mãe costurou estrelas em todas as suas roupas. Em todas as roupas da família, exceto as do irmãozinho. Antes disso os documentos de identidade da família haviam sido carimbados com as palavras 'Judeu' ou 'Judia'. E então, haviam todas as coisas que, de uma hora para a outra, eles não eram mais permitidos fazer. Como brincar no parque. Como andar de bicicleta, ir ao cinema, ao teatro, ao restaurante, à piscina. Como não ser mais permitido a emprestar livros da biblioteca.'' (pag. 25)

Sarah Starzynski tem dez anos quando ouve a polícia bater na porta de sua casa. Com medo do que pode acontecer com o irmão, esconde-o numa passagem secreta atrás do armário da cozinha e promete voltar o mais rápido possível para salvá-lo. Sarah sabe que corre contra o tempo, o que ela não sabe é que a família está sendo levada para um campo de concentração e as chances de que sairá de lá são extremamente remotas. Em seu bolso ela guarda a chave do esconderijo onde seu irmão a espera.

Julia Jarmond é uma jornalista americana que mora em Paris, casada com o charmoso e arrogante, Bertrand - membro de uma família rica e tradicional francesa - e mãe de Zoe. O jornal em que Julia trabalha lhe dá a missão de escrever um artigo sobre os eventos de Julho de 1942 - ''Os aprisionamentos em Vélodrome d'Hiver. Vel' d'Hiv é a abreviação. É um estádio coberto famoso onde havia corridas de bicicleta. Milhares de famílias Judias, presas lá por dias, em condições apavorantes. E depois enviadas para Auschwitz. Para as câmaras de gás.'' (pag. 27)

A história de Sarah é contada em paralelo a de Julia, sabe-se que há uma ligação entre as duas mas o mistério é mantido por mais da metade da história, na verdade, até quase o final. É preciso preparar os lencinhos porque há capítulos bem fortes, daqueles que te deixam acordada a noite ao lembrar... Tatiana de Rosnay não poupou o leitor das atrocidades cometidas contra os judeus durante aquele período e os fatos são relatados do ponto de vista de Julia, uma americana, contra os franceses, simbolizados pela família do marido.

Muito é falado sobre o holocausto em Auschwitz, do papel dos alemães, mas pouco se fala sobre a contribuição de outros países que perseguiram os judeus residentes em suas terras, e os mandaram para campos de concentração. Eu não tinha idéia do papel da França nesse momento histórico, e o silêncio do povo francês depois para 'apagar' de sua história o papel sujo que tiveram.

Julia se vê obrigada a buscar a verdade mais profunda dessa história, encontrar Sarah e pedir desculpas pelas improbidades cometidas a ela e sua família, pelo sofrimento causado. Como se o perdão de Sarah pudesse aliviar a culpa que sentia pela participação da família do marido nesse episódio. Ao investigar os acontecimentos de Julho de 1942, Julia descobre que não é apenas a França que prefere esquecer aquele período, a família Tezac também guarda um segredo a sete-chaves que prefere não trazer a tona.

O filme foi lançado em 2011, não assisti e ninguém que conheço assistiu. Se você viu, compartilhe aqui o que achou, por favor. Julgando pelo trailer até que parece bom, não?




''Ela nunca fala sobre Beaune-la-Ronde. Nas raras vezes que dirigimos perto da vila, ela fica pálida. Ela vira a cabeça para o outro lado e fecha os olhos. Pergunto-me se um dia o mundo saberá. Se a verdade virá a tona, sobre o que aconteceu ali. Ou se continuará um segredo para sempre, enterrado no passado obscuro, perturbador.'' (pag. 196)

Wednesday, May 1, 2013

The Girl in the Green Raincoat (Laura Lippman)

Tess Monaghan é uma detetive particular super frenética e viciada em trabalho, que se vê confinada a sua casa - e cama - após complicações com sua gravidez não planejada. Para lidar com o tédio, encontra conforto na observação do eventos do mundo que se passam diante de sua janela, como, por exemplo, a jovem de casaco verde que caminha com seu cachorro no mesmo horário (e com mesmo casaco) todos os dias. Até que um dia Tess vê o cachorro perambulando solto porque sua dona havia desaparecido.

''Crow tomou o telefone da mão dela gentilmente. Oh, ele sempre foi gentil, não foi?, exceto quando seu esperma estava invadindo os portões do diafragma de alguém, enganando o espermicida e puxando seu caminho no círculo dos vencedores, 1 chance em 99 perfurou o óvulo destraído dela, criando essa pessoa-a-ser que a colocou grudada nessa cadeira de vime.'' (pag. 2)

Curiosidade é característica congênita de todo investigador, portanto Tess jamais conseguiria deixar esse pequeno detalhe de lado. Ela está determinada a descobrir o que aconteceu com a garota do casaco verde. Usando de sua intuição e, logicamente, seu talento para investigação, ela decide, contra tudo e contra todos, desvendar o mistério do desaparecimento de dentro de seu próprio quarto.

Tess é uma personagem super engraçada, ficou grávida do namorado Crow por acidente, e já logo no início a gravidez se mostrou uma pedra em seu sapato, especialmente para ela viciada em seu trabalho. Após o 'desaparecimento' da garota de casaco verde, cria as teorias mais especulativas possíveis sobre o que poderia ter acontecido, mal sabia ela que seus pesadelos só estavam começando e logo Tess se vê envolvida numa teia de morte e outros crimes, colocando sua vida e a do seu bebê em risco.

The Girl in the Green Raincoat (A garota da capa de chuva verde) é uma leitura curta e rápida, mas a história não é lá muito original - vale ressaltar que esse é o livro #11 dessa série de romance policial Tess Monaghan da Laura Lippman. Quanto terminei tive aquela impressão de que já havia lido ou visto a história antes, mas dei altas gargalhadas com as armações da Tess e as tiradas sobre maternidade são ótimas. E quem se arrepende de algumas gargalhadas? Eu não...

''Esse tem sido o refrão cantado desde quando sua gravidez foi anunciada. Ah céus, sua vida vai mudar.  Usualmente dito com alegria e antecipação. Mas frequentemente há também uma ponta de malícia nessa frase, uma vibração tipo miséria-ama-companhia que Tess achava perturbadora. Restaurantes nunca mais, sua amiga Jackie, mãe solteira de uma garotinha, anunciou. É isso mesmo, restaurantes de verdade nunca mais. Não verás guardanapo de pano por pelo menos dez, quinze anos. Outros premeditaram fim de noites bem-dormindas, sexo, viagens, leitura, casa limpa, e roupas limpas.'' (pag. 124)

Monday, April 29, 2013

The Language of Flowers (Vanessa Diffenbaugh)

The Language of Flowers (A linguagem das flores) foi o primeiro livro publicado por Vanessa Diffenbaugh, e lançado aqui nos Estados Unidos em 2011.
Acredito que a descrição na orelha do livro explica profunda e poeticamente o seu conteúdo: ''A história de uma mulher cujo dom com as flores ajuda a transformar a vida de outras pessoas enquanto ela luta para superar seu passado''.

''Estou falando da linguagem das flores', disse Elizabeth. 'Da era Victoriana, como seu nome. Se um homem desse um buquê de flores para uma jovem, ela correria para casa e tentaria decifra-la como uma mensagem secreta. Rosas vermelhas significam amor; amarelas infidelidade. Portanto um homem teria que escolher suas flores cuidadosamente.'' (pag. 29)

Órfã, Victoria Jones passou a infância sendo jogada de um lado para o outro por famílias de criação (passou por 32 famílias até completar 18 anos!). Rebelde, logo que as Assistentes Sociais encontravam um novo lar, Victoria usava de seus melhores atributos para se distanciar e fazer com que as famílias a devolvessem... até que se deparou com Elizabeth. Elizabeth também havia perdido os pais cedo, há anos não falava com a única irmã, e havia um segredo pesado em seu peito, segredo pelo qual a impediu de ter tido sua própria família.

Quando Victoria é colocada aos cuidados de Elizabeth, esta promete nunca desistir. Caso ficassem juntas por um ano, Elizabeth teria a chance de adotá-la legalmente. Após tantos anos sozinha, ela encontra a chance de experimentar a maternidade, de sentir que há alguém no mundo a quem possa direcionar todo aquele amor guardado por tanto tempo. Ela persiste apesar da rejeição de Victoria que fundo no fundo também quer ser amada e aceita, mas sua vida tem marcas demais para deixar que alguém se aproxime. Sentir o que é ser querida, saber o que é ter uma mãe, ter uma família, no fundo é isso que Victoria deseja mas ela não sabe como agir porque simplesmente nunca aprendeu - Não se pode dar o que nunca se teve.

O gelo começa a ser quebrado quando Elizabeth começa a ensina-la a linguagem das flores, que havia aprendido com seus pais. Agora Victoria tem como expressar através das flores o que não consegue verbalizar. O que ela não esperava é que Elizabeth também tivesse um passado. Com medo de perde-la e com ciúmes das marcas que ocupam espaço no coração da mãe, Victoria toma um passo impensado, só que o feitiço vira contra o feiticeiro e Victoria se vê levada mais uma vez pelo Serviço Social. Perde Elizabeth mas não perde a nova linguagem que aprendeu, e é esse novo idioma que a salva quando completa a maioridade e não mais pode ser amparada pelo governo.

Renata jamais imaginou o rumo que sua floricultura tomaria após contratar aquela moça calada, cheia de mistérios. Renata percebeu logo no início que Victoria era moradora de rua, assim como também percebeu o dom que ela tinha.

''Earl veio hoje', ela disse. 'Ele me pediu para te dizer que sua neta ficou feliz - ele disse que era importante que eu dissesse 'feliz' e não outra palavra. Ele disse que você fez algo com as flores para que isso acontecesse.'' (pag. 46)

Achei The Language of Flowers belamente escrito para um romance debutante, sem contar que ela nos presenteia com um dicionário de flores no final do livro! Victoria Jones faz o leitor viver uma montanha-russa de emoções, prepare a caixinha de lenços porque não há como não derramar lágrimas ao acompanhar a tragetória da nossa heroína tão profundamente humana. A história, que se passa aqui em San Francisco, vai se revelando em camadas, os capítulos se intercalam entre passado e presente. O personagem de Victoria foi muito bem desenvolvido, não sei se por experiência intrínseca, uma vez que Vanessa Diffenbaugh é mãe de criação (foster parent), ou por talento cabal. Só sei que os personagens são envolventes e causam simpatia de uma forma ou de outra.

Victoria Jones, mesmo passando por um mar de experiências, tem um ar bucólico. Uma melancolia se arrasta por muitos capítulos. É devastador... especialmente se você for mãe e ao chegar naquela parte e reconhecer os sintomas de Depressão Pós-Parto, você quer gritar, implorar para que ela levante, peça ajuda, respire fundo, por que está fazendo isso? Esquece o passado, dá uma chance para o futuro... daí o coração enche de esperanças. E assim vai a cada capítulo, você torce, você reclama, você quer sacudi-la para que acorde para a vida, você se emociona com o impacto que as flores causam na vida das pessoas, acreditem elas ou não, elas voltarão com um sorriso no rosto e compartilharão... Depois de ler esse livro, você jamais verá flores da mesma maneira!

Friday, April 26, 2013

The Happiest Baby on the Block (Harvey Karp)

E olha eu aqui finalmente!
Li The Happiest Baby on the Block - O bebê mais feliz do pedaço - do pediatra Harvey Karp, M. D. por recomendação do pediatra da Valentina, ela tinha apenas 3 semanas e começando aquela fase de choros durante a noite. Após ler o livro, tive a certeza que todas as mães deveriam ler, ou pelo menos tomar conhecimento sobre as recomendações do Dr. Karp (ele começou seus estudos sobre bebês em 1970!), nem que seja apenas por desencargo de consciência, para tentar ajudar nossos pequenos nessa fase reconhecida como a fase das cólicas.

Antes de mais nada, devo dizer que eu li, pratiquei, e funcionou com a Valentina. Não aconteceu de um dia para o outro, é preciso persistência e paciência mas funciona, funciona mesmo se for levado a sério. Outro ponto que devo mencionar para os que desejam ler o livro é que após alguns capítulos fica um pouco repetitivo, as recomendações são simples e poderiam ser explicadas de maneira mais breve, não precisava ter se estendido por todas as 260 páginas, mas ainda assim há outras dicas e testemunhos de pais de como eles usaram os 5 passos na sua própria maneira, o que funcionou ou não para seus filhos. Há também dicas do que fazer e como reconhecer se seu bebê tem cólicas por motivos como intolerância a lactose, refluxo de suco gástrico, necessidade de arrotar, excesso de estímulo, etc.

Dr. Karp começa explicando a sua teoria do por quê os bebês sofrem de cólicas nos primeiros 3 meses fora do útero materno. Durante a nossa evolução, nós homo sapiens tivemos nosso quadril diminuído para que nos adaptássemos a nossa nova vida bípede, por essa razão os bebês humanos nascem 3 meses antes do tempo, para que seja possível passar pelo canal uterino durante o parto. Como os cangurus, nossos bebês são forçados a crescer fora do útero por 3 meses, só que diferente dos cangurus, não temos o saquinho na barriga para agasalha-los e mantê-los com aquela sensação de que ainda estão dentro da barriga da mamãe. Eis o motivo das cólicas, uma vez que nossos bebês não têm a chance de ter o quarto trimestre, eles sentem falta do ambiente que tinham dentro do útero materno.

Imagina você, cuidado com carinho, ninado, alimentado, aconchegado durante 9 meses dentro da barriga da mamãe, e de uma hora para outra... bum! luzes, te puxam, te empurram, te seguram pelas pernas, alguém enfiando um negócio dentro da sua boca que você é forçado a chupar, você faz xixi e coco em fraldas, e te colocam para dormir numa cama (o que é uma cama?) sozinho, num silêncio tedioso, sem aquele balanço suave da mamãe caminhando, andando com você dentro da barriga. É um trauma!

''Vamos regressar ao tempo que o feto ainda estava na barriga e ver a vida pelos olhos dele. (...) Lá na sua placenta pulsante; como um restaurante vinte e quatro horas, servindo seu feto um banquete constante de comida e oxigênio.
No centro, num lugar de honra, está seu bebê precioso. Protegido da fome, germes, vento frio, animais malvados, e irmãos indisciplinados pelas paredes aveludadas da sua barriga.'' (pag. 63)

E o que fazer para diminuir esse impacto após a expulsão? Utilizar os 5 S's para imitar as sensações do útero. Vale ressaltar que os passos abaixo devem ser usados após alimentar e trocar a fralda dos bebês, quando estiverem preparando para dormir, preferivelmente seguindo a mesma ordem pelo menos para os 3 primeiros passos. Eis aqui os 5 S's do Dr. Karp:

1. Swaddling - como na figura abaixo, swaddling é o ato de enrolar o bebê de modo que seus braços e pernas fiquem restritos, como num pacote, impedindo o Reflexo Moro - aquela sensação de estar caindo que acontece até mesmo conosco quando adultos, e é ainda mais intensa com bebês por não terem coordenação motora. Pode-se usar um cobertor ou manta quadrado (como na foto), ou, no meu caso eu usei o SwaddleMe (vendido ai no Brasil sob o mesmo nome, um cueiro ajustável para enrolar bebês -  veja aqui) porque meu marido nunca acertou enrolar a Valentina direitinho com o cobertor.
Não desista se seu bebê estiver chorando e chorar ainda mais depois que enrola-lo nas primeiras vezes, esse passo vai ajudar a acalma-lo para que preste atenção nos passos seguintes.

Se enrolar o bebê com o cobertor, recomenda-se usar
uma fita adesivapara assegurar a última ponta do
pano para que não se desenrole - Pag. 126
2. Side/Stomach = Lado/Estômago - para bebês agitados ou já em estado de choro, a pior coisa é coloca-los deitados de costas ou segura-los nessa posição, Dr. Karp recomenda segura-los de lado, ou de bruços em seu braço - como na foto abaixo. Meu antebraço é curto, então de bruços não funcionou comigo apenas com o marido, mas de lado funcionou e ainda funciona.

Pag. 126

Atenção: Embora as posições de lado e de bruços ajudem a acalmar os bebês, a Academia Americana de Pediatria recomenda nunca colocar bebês para dormir de bruços, apenas de costas. Estudos mostram que bebês que dormem de bruços tem maiores chances de sufocamento e de SIDS, ou em português, Síndrome da Morte Súbita Infantil (leia mais sobre essa síndrome aqui).
''Numa vitória gigante para as famílias, conseguimos diminuir o índice de mortalidade por SIDS de seis mil bebês por ano para três mil e quinhentos, só pelo fato de colocar bebês para dormir de costas.'' (pag. 131)
3. Shhh = Xiiiii - isso mesmo, chegar pertinho do ouvido do seu bebê e fazer xiiii, xiiii, xiii. O volume do xiii deve acompanhar o volume do choro. Esse ato ativa o reflexo que acalma os bebês porque imita o som que ouviam no útero, do sangue da mãe sendo transportado pelas veias e artérias, e das batidas do coração. Segundo pesquisas, esse som uterino equivale ao barulho de um aspirador de pó, ou o secador de cabelo. Imagina passar 9 meses ouvindo um secador de cabelo 24 horas por dia, e sair do útero para um silêncio tedioso? Bebês detestam silêncio! Depois pode também ser usado músicas de ninar, sons suaves. Valentina agora dorme ouvindo as ondas do mar.

4. Swinging = Balançar - agora que seu bebê está enroladinho, de lado no seu colo, e você está xiiiiiando ele, comece a balança-lo de um lado para o outro, ou levemente para cima e para baixo, ou, caso já esteja calminho, pode fazer como os exemplos 2 e 3 na foto abaixo. Lembre-se que esse passo é para balançar, não chacoalhar seu bebê para não causar danos cerebrais (leia sobre a Síndrome do Bebê Sacudido aqui).

Pag. 127
5. Sucking = Sugar ou chupar - segundo Dr. Karp, chupar acalma e é saudável porque diminui o nível de stress e estimula a liberação de um químico no cérebro dos bebês que alivia a dor e diminui sofrimento. Chupar também diminui o risco de SIDS, ou em português, Síndrome da Morte Súbita Infantil (leia mais sobre essa síndrome aqui). De acordo com Dr. Karp, bebês só se acostumam com hábitos após o quarto mês, e ele aconselha a parar de usar chupeta entre 4 e 6 meses para que não aumente o risco de infecção no ouvido. Eu estava relutante para usar a chupeta, no início preferi dar o peito ao invés mas meu marido acabou me convencendo, e convencendo a Valentina a usar. Ela estava usando direto até que descobriu os dedinhos, já faz 5 dias que ela recusa a chupeta e prefere os dedinhos, e ela já se acalma sozinha usando-os, então estou feliz.

- Passos 3, 4 e 5 devem ser repetidos até o bebê dormir.

Valentina usando o swaddling
de cobertor no hospital
Demorou por volta de 3 semanas para a Valentina se acostumar com os outros 4 passos porque swaddling me ensinaram no hospital então ela já ficava enroladinha desde que nasceu. Nas primeiras 2 semanas eu não quis usar a chupeta então ela demorava as vezes 2 horas para cair no sono mas começou a dormir por 3 horas seguidas (imagina você xiando e balançando por 2 horas toda noite! quase cavei um buraco no chão do meu quarto andando de um lado para o outro). Assim que introduzimos a chupeta também comecei a criar uma rotina para ela - fazendo praticamente as mesmas coisas nos mesmos horários: ir para o quarto por volta de 8:30, diminuir as luzes, trocar fralda, mamar, ler um livro, swaddling, chupeta, ligo a musiquinha com o barulho do mar, carrego de lado, xiii, balanço... o tempo diminuiu para 40, 30 minutos em poucas semanas, e antes mesmo de ela completar 2 meses ela já estava dormindo por pelo menos 5 horas seguidas!

Valentina agora está com 3 meses e meio, dorme por pelo menos 6 horas seguidas durante a noite, o máximo até agora foram 10. Tivemos que parar de usar o swaddle porque ela já está virando de lado, ficamos com medo dela de repente virar de bruços e sufocar. Mas mesmo ela não dormindo mais enrroladinha sigo os outros 4 passos e são poucas as vezes que temos que nina-la por mais de 15 ou 20 minutos até que caia no sono.

''Quanto mais você amar e abraçar seu bebê, mais confidente e resiliente ele se tornará''. (pag. 69) 

Saturday, April 20, 2013

Poema de Sábado

In the Garret
No Sótão

(...)
Four little chests all in a row,
Quatro bauzinhos enfileirados,
Dim with dust, and worn by time,
Escurecidos com poeira, e gastos pelo tempo,
Four women, taught by weal and woe
Quatro mulheres, ensinadas por conforto e aflição
To love and labor in their prime.
A amar e trabalhar no seu auge.
Four sisters, parted for an hour,
Quatro irmãs, separadas por uma hora,
None lost, one only gone before,
Nenhuma perdida, uma apenas partiu antes,
Made by love's immortal power,
Feitas pelo poder do amor imortal,
Nearest and dearest evermore.
Próximas e queridas sempre.
Oh, when these hidden stores of ours
Oh, quando esses nossos segredos
Lie open to the Father's sight,
Abertos forem aos olhos do Pai,
May they be rich in golden hours,
Possam eles ser ricos  em momentos dourados,
Deeds that show fairer for the light,
Obras que se mostram mais juntas diante da luz,
Lives whose brave music long shall ring,
Vidas cuja música brava tocará por longo tempo,
Like a spirit-stirring strain,
Como um espírito que sacode a tensão,
Souls that shall gladly soar and sing
Almas que alegremente  planarão e cantarão
In the long sunshine after rain.
Pelos raios do sol depois da chuva.


Poema by Jo March
do livro Little Women (Louisa May Alcott), 
pags. 452-453

Saturday, April 13, 2013

Poema de Sábado

In the Garret
No Sótão

Four little chests all in a row,
Quatro bauzinhos enfileirados,
Dim with dust, and worn by time,
Escurecidos com poeira, e gastos pelo tempo,
All fashioned and filled, long ago,
Decorados e preenchidos, anos atrás,
By children now in their prime.
Por crianças agora no seu auge.
Four little keys hung side by side,
Quatro chavezinhas penduradas lado a lado,
With faded ribbons, brave and gay
Com laços desbotados, bravos e felizes
When fastened there, with childish pride,
Quando ali colocados, com orgulho de criança,
Long ago, on a rainy day.
Anos atrás, num dia chuvoso.
Four little names, one on each lid,
Quatro nomezinhos, um em cada tampa,
Carved out by a boyish hand,
Encravados por uma mão com jeito de menino,
And underneath there lieth hid
E lá embaixo jaz escondido
Histories of the happy band
Histórias da banda feliz
Once playing here, and pausing oft
Que um dia lá brincou, e pausando frequentemente
To hear the sweet refrain,
Para ouvir o doce refrão,
That came and went on the roof aloft,
Que vinha e ia no telhado acima,
In the falling summer rain.
Da chuva de verão que caía.

Poema by Jo March
do livro Little Women (Louisa May Alcott), 
pags. 450-451

Monday, April 8, 2013




Tenho lido Little Women da Louisa May Alcott há pouco mais de um mês, quase no fim, e já não quero que a história termine. Comprei esse livro há alguns anos, quando a Borders estavam fechando suas portas e me perguntava porque estava demorando tanto para ler porque eu amo o filme e já assisti tantas e tantas vezes... hoje sei. Por que agora sou mãe, estou lendo com outros olhos. Essa história é tão linda, trata de tantos tópicos sensíveis que sei que se tivesse lido antes não teria dado o mesmo valor que dei ao ler nesse meu momento. O filme, apesar de muito bom, não retrata nem a metade do que acontece no livro e há muita alteração.

A mãezona Sra. March aborda com tanta sabedoria e sutileza assuntos como religião, relacionamentos, criação de filhos, etc., pobreza e morte, aconselha de forma tão simples e amorosa que por vezes me pego desejando ter a mesma mansidão e sabedoria quando tiver que discutir esses assuntos com a minha Valentina.

Meg, Jo, Beth e Amy tornaram-se parte da minha vida nesse último mês, e quando acordamos de manhã eu pergunto logo da Valentina... ''Queres saber o que aquelas meninas estão aprontando hoje? Vamos saber?''

E assim eu começo meu dia... lendo Little Women para a minha Valentina.

Saturday, March 2, 2013

Poema de Sábado

LXVII  - Da felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!

Mario Quintana,
Espelho Mágico, pag. 47

Thursday, February 28, 2013

BabyLit

Meus hábitos de leitura já haviam mudado durante a gravidez mas agora que a Valentina nasceu parece que cada livro que pego para ler, cada blog que acabo parando para ler me direcionam para o assunto maternidade... sem querer, querendo.
Minha amiga Nari, do The Novel World, teve o baby dela um mês após a Valentina e temos compartilhado muitas dicas de literatura para bebês, e mais que isso, ela tem contribuído de forma assídua para o crescimento da biblioteca da Valentina. No entanto, mais do que ler e comprar livros, também precisamos incentivar os sentidos dos infantes, especialmente audição, visão e tato nesses primeiros meses.
Essa semana encontrei na Buy Buy Baby esses dois livros da Sandra Magsamen - Butterfly Kisses e Love Bug - que vêm com fantoches de dedo, ótimos para estimulação visual e interação com os bebês. Os livros são em capa dura e parecem bastante resistentes, quando a Valentina crescer vai poder usar, abusar, morder e molhar.

A interação com fantoches é apropriada para recém-nascidos e bebês até 4 meses - ou mais, se conseguirem manter a atenção - ... eu sei que bebês nascem com visão limitada e segundo o que li, não enxergam em cores nos primeiros meses, mas mesmo assim, as cores dos fantoches desses dois livros são bem vibrantes e dá para brincar bem pertinho dos olhos deles. Minha Valentina já presta atenção (por tempo limitado rs) e ela ainda não tem 2 meses. As histórias são fofas, com rimas para manter aquele ritmozinho que eles tanto gostam.


Saturday, February 2, 2013

Poema de Sábado... para Valentina

Um retrato

Seus olhos grandes, redondos e pretos
Tempos depois ainda ficavam pregados na gente
Como botões...

Mario Quintana 
(A cor do Invisível, pag. 25)

Friday, February 1, 2013

Resumo de 2012

Eu sei, eu sei que já é Fevereiro e aqui estou correndo para fazer meu resuminho de 2012.
Não consegui alcançar minha meta de 25 livros, li apenas 20, 4 a menos que em 2011... mas tenho uma boa desculpa lol.
Doi-me dizer que não consegui escrever um resumo sequer para 2011, tantos livros ótimos que li e tanto para falar sobre eles... trabalho, gravidez, mudança de casa, decorar casa e cuidar do marido não me permitiram escrever, mas vou correr atrás do prejuízo em 2012, vamos ver se minha licença maternidade me permite mais tempo para bloggar e ler!

E aqui vai a lista:

  • 01. The Language of Flowers (Vanessa Diffenbaugh)
  • 02. Sarah's Key (Tatiana de Rosnay)
  • 03. Bel Canto (Ann Patchett)
  • 04. The Dry Grass of August (Anna Jean Mayhew)
  • 05. The Hunger Games (Suzanne Collins)
  • 06. Catching Fire (Suzanne Collins)
  • 07. Mockingjay (Suzanne Collins)
  • 08. Baby Proof (Emily Giffin)
  • 09. The Night Circus (Erin Morgenstern)
  • 10. Dr. Jekyll and Mr. Hyde (Robert Louis Stevenson)
  • 11. Ant Farm (Simon Rich)
  • 12. The Russian Concubine (Kate Furnivall)
  • 13. Cousin Bette (Honore de Balzac)
  • 14. The House of Special Purpose (John Boyne)
  • 15. A Secret Kept (Tatiana Rosnay)
  • 16. The Prisioner of Heaven (Carlos Ruiz Zafon)
  • 17. Summer at Tiffany (Marjorie Hart)
  • 18. Mutiny on the Bounty (John Boyne)
  • 19. Bite Me (Christopher Moore)
  • 20. The Memory Keeper's Daughter (Kim Edwards)
Não me arrependo e leria de novo! - The Night Circus (Erin Morgentern)
Preferia não ter lido! - Summer at Tiffany (Marjorie Hart)
Li mas não convenceu! - Bel Canto (Ann Patchett)
Decepção! Bel Canto (Ann Patchett)
O melhor do ano! - Essa foi fácil, havia escolhido em Maio assim que terminei de ler, mas devo dizer que na verdade, além de considerar The Night Circus (Erin Morgentern) o melhor do ano, The Prisioner of Heaven (Carlos Ruiz Zafon) também foi magnífico e não vejo a hora de escrever sobre este para vocês!


Saturday, November 17, 2012

Sinal de fumaça

Gente do céu,

Nem acredito que estou finalmente aqui para tirar a poeira do meu blog. Tanto tempo ausente e tanta novidade que nem sei por onde começar. 2012 foi um ano de mudanças, conquistas e surpresas - surpresas muito agradáveis, devo dizer.

BabyLit - Romeo & Juliet
Em Fevereiro compramos nossa casa nova, depois de 5 anos de casamento finalmente encontramos um ninho para chamar de nosso! Em meio a reformas, escolhe cor, escolhe móveis, escolhe decoração, descobrimos que estávamos grávidos (em Abril). Entre enjoos, muito mais enjoos, mudamos para nossa casa nova em Maio e desde então temos tentado organizar a casa, a nossa vida, e a vida que está para chegar...

Meu ritmo de leitura diminuiu consideravelmente mas aos poucos estou conseguindo finalizar aqueles livros que sei que não terei tempo de ler quando nosso bebê chegar.

Sim, meu foco de leitura já mudou, e como duas das minhas companheiras de BookClub também estão grávidas, já estamos planejando Baby BookClub e pesquisando vários autores e livros que não podem faltar na estante das nossas crias. E como tem livro bom para bebês, gente! Estou impressionada com quão ignorante eu era sobre o assunto, e quando me deparei com esse site da Gibbs Smith - BabyLit - com clássicos literários em versão infantil, meu queixo caiu!

Tem muito mais que quero compartilhar e tentarei assim fazer quando tiver tempo livre, o que tem sido difícil, mas estou feliz que consegui vir aqui e compartilhar um pouco das novidades com vocês. Estou com quase 8 meses, e não vejo a hora de ver o rosto desse serzinho que vem crescendo dentro de mim de forma tão mágica, até agora me pego pensando: wow tem alguém crescendo dentro de mim! É incrível, é absolutamente incrível.

Fiquem bem, queridos e queridas. Até logo!

Julianne Haghverdian



Saturday, May 12, 2012

Poema de Sábado

Semana passada assisti The Raven, de James McTeige, com John Cusack. O filme fictício busca interpretar os últimos dias da vida de Edgar Alan Poe, que como sabemos, desapareceu por um certo período e foi encontrado poucos dias antes de sua morte, perambulando delirando e alucinando pelas ruas de Baltimore.

Em homenagem a Poe, escolhi um trecho do poema mencionado no filme... quem ainda não viu, corre, ainda dá tempo!

Annabel Lee

I was a child and she was a child,
Eu era uma criança e ela era uma criança,
In this kingdom by the sea:
Nesse reino a beira do mar:
But we loved with a love that was more than love—
Mas amávamos com um amor muito maior que amor—
I and my ANNABEL LEE;
Eu e minha ANNABEL LEE;
With a love that the winged seraphs of heaven
Com um amor que os anjos do céu
Coveted her and me.
Cobiçaram ela e eu.

(…)

The angels, not half so happy in heaven,
Os anjos, não felizes no paraíso,
Went envying her and me—
Decidiram invejar ela e eu—
Yes!— that was the reason (as all men know,
Sim!— esse foi o motivo (como todo homem sabe, 
In this kingdom by the sea)
Nesse reino a beira do mar)
That the wind came out of the cloud by night,
E o vento veio das nuvens a noite,
Chilling and killing my ANNABEL LEE.
Congelando e matando minha ANNABEL LEE.

(…)

For the moon never beams, without bringing me dreams
Porque a lua nunca brilha, sem trazer-me sonhos
Of the beautiful ANNABEL LEE;
Da bela ANNABEL LEE;
And the stars never rise, but I feel the bright eyes
E as estrelas nunca aparecem, sem que eu sinta os olhos brilhantes
Of the beautiful ANNABEL LEE;
Da bela ANNABEL LEE;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
E assim, em toda a maré noturna, eu me deito ao lado
Of my darling—my darling—my life and my bride,
da minha amada—minha amada—minha vida e minha noiva,
In the sepulchre there the sea,
Naquele sepulcro a beira do mar,
In her tomb by the sounding sea.
No seu túmulo a ouvir o barulho do mar.



Sunday, May 6, 2012

“When she opens her eyes, they are standing on the quarterdeck of a ship in the middle of the ocean.
Only the ship is made of books, its sails thousands of overlapping pages, and the sea it floats upon is dark black ink.”

“Quando ela abre os olhos, eles estão no tombadilho superior de um navio no meio do oceano.
Só que o navio é feito de livros, suas velas milhares de páginas sobrepostas, e o mar em que o navio navega é feito de tinta preta.”
The Night Circus, pag 261

Antecipadamente escolhido como o melhor livro lido em 2012!!

Tuesday, April 17, 2012

Daisy Miller (Henry James)

As vezes me pergunto se as mulheres de Henry James são secretamente inspiradas nas de Flaubert (de modo menos egoísta, diga-se de passagem), ou se James busca apenas fazer uma justaposição das sociedades Americana e Europeia. Digo isso porque, assim como a protagonista de The Portrait of a Lady, Daisy Miller é uma jovem nascida na América que, ao viajar para a Europa, vê-se em conflito com a opinião e comportamento daquela sociedade conservadora, considerada como o centro do pensamento livre, e modos liberais. Ambas sofrem humilhações nas mãos dos europeus, e acabam coagidas por serem consideradas insubmissas às normais sociais locais.
“Na pequena cidade de Vevey, na Suiça, existe um hotel particularmente confortável. Existem, na verdade, muitos hotéis; uma vez que entreter turistas é a maior fonte de renda do lugar, que, como muitos viajantes lembrarão, é localizado às margens de um lago azul inesquecível— um lago que atrai cada turista para uma visita.” (pag. 135)

 Escrita em terceira pessoa, o narrador relata a história usando o ponto de vista dos personagens, como se estivesse lendo suas mentes, explorando suas percepções e consciência.

Daisy Miller viaja com a mãe, o irmão e os criados pela Europa, vinda de Nova York. É na Suiça que conhece Winterbourne, que sem perceber se apaixona pela destemida e inocente Daisy Miller, e a segue até Roma, onde a história se desenvolve.

Ainda na Suiça percebe-se pelos comentários da tia de Winterbourne, Senhora Costello, que aquela sociedade não vê com bons olhos o modo liberal com que Daisy Miller se relaciona com os recém-conhecidos— e aqui a história me traz à memória Orgulho e Preconceito, quando Mr. Darcy demonstra pouco caso ao interagir com a família de Elizabeth Bennett até ser devidamente apresentado e ganhar certa intimidade... e quem não lembra como Mr. Darcy tratou Mr. Collins quando este último tentou uma aproximação? — É preciso uma introdução formal para que ambas as partes sejam consideradas 'conhecidos'. A sociedade europeia é seletiva e elitista, são poucos os que têm acesso ao círculos sociais mais elevados, e os que não se encaixam nos pré-requisitos dessa seleção são excluídos sem qualquer cerimônia ou discrição.

“Em Geneva, como ele tinha perfeita ciência, um jovem não deveria tomar a liberdade de falar com uma jovem solteira, com exceção de algumas certas raras condições; mas aqui, em Vevey, que condição mostraria-se mais favorável que esta? - uma bela jovem americana caminhando e parando bem a sua frente no meio do jardim.” (pag. 139)

Ao chegar a Roma, Daisy Miller conquista certa notoriedade, em pouco tempo circula pelos jantares mais badalados, convites chegam diariamente requisitando sua presença. No entanto, quando certo tempo depois, Winterbourne decide visitá-la em Roma, o curso da história de Daisy Miller já é outro. Rumores circulam pela cidade sobre as liberdades da moça, sobre seus passeios diários desacompanhada da mãe, e cercada por italianos de certa reputação.

“A garota circula pela cidade sozinha cercada pelos estranhos. Sobre o que acontece nesses passeios, deves inquirir a outra fonte pela informação. Ela se associou a meia-duzia de romanos em busca de fortuna, e os leva como companhia aos jantares que frequenta. Quando ela vem a uma festa ela traz consigo um cavalheiro com boas maneiras e um bigode maravilhoso.” (pag. 162)

E assim acontece o declínio de Daisy, ainda mais rápido que sua ascensão. Não se sabe se por ingenuidade ou teimosia, ela insiste em não aceitar os conselhos da mãe e dos amigos mais chegados, recusa-se a mudar seus hábitos para agradar a sociedade, projeta-se como inabalável. Prefere a liberdade... e a liberdade acaba lhe custando mais do que esperava.

As biografias sobre Henry James parecem concordar em um ponto, o próprio James era considerado expatriado, os primeiros vinte anos de sua vida foram marcados por suas idas e vindas da America para Europa, até que decide fixar residência na Inglaterra pouco tempo antes de sua morte. E aqui a minha pergunta do início desse post é respondida... como expatriado que era, James tinha conhecimento de causa e por esse motivo muitas de suas obras retratam o choque de culturas e de personalidades quando visitando terras estrangeiras: The Portrait of a Lady, Daisy Miller, Roderick Hudson, The American... e por ai vai. Outro ponto marcante em suas obras é a excelência com que James escreve sobre os países que seus personagens visitam, nesse ponto ele me lembra Tolstoy, ao descrever minuciosamente os cenários que se misturam com o ambiente natural, e na minha mente se transformam em obras-de-arte como as pinturas de Rembrandt... e não é esse um dos maiores prazeres da leitura?

“A noite estava encantadora, e ele prometeu a si mesmo a satisfação de caminhar até a casa, passar por debaixo do Arco de Constantino e além dos monumentos levemente iluminados do Forum. Num céu de lua minguante, o esplendor não era brilhante mas a lua estava coberta por uma fina cortina de nuvens que parecia dissolver e igualar-se a sua cor. Quando, ao retornar da vila (já eram vinte e três horas), Winterbourne aproximou-se do círculo abstruso do Colosseo, pareceu para ele, amante eterno do pitoresco, valer muito a pena visitar  o interior do monumento, à luz do pálido esplendor da lua. (...) E então ele atravessou por entre as sombras cavernosas da estrutura colossal, e reapareceu na clara e silenciosa arena. O lugar nunca lhe havia parecido tão impressionante.” (pag. 187)

Saturday, April 14, 2012

Poema de Sábado

X. Mar Português


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso,  ó mar!


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa,
A mensagem, pag. 29

Saturday, March 31, 2012

Poema de Sábado

Ária para Assovio

Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.

As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?

O madrigal se escreve:
Se é do teu costume
Deixa que eu te leve.

(Sê... mínima e breve
A música do perfume
Não guarda ciúme.)

Rio, 1936

Vinicius de Moraes,
Nova Antologia Poética, pag. 14

Friday, March 23, 2012

When She Woke (Hillary Jordan)


“Quando ela acordou, ela estava vermelha. Não de vergonha, não por queimadura do sol, mas o sólido, vermelho berrante de uma placa de trânsito. Ela viu suas mãos primeiro. Ela as observou em frente aos seus olhos. (...) Ela sabia o que a esperava— já havia visto muitos Vermelhos antes, logicamente, pela rua e na vid— mas ainda assim, ela não estava preparada para ver a sua própria pele transformada.” (pag. 01)


Gente, desde que terminei de ler esse livro em Outubro venho me preparando para essa resenha. When She Woke - Quando ela Acordou - foi escolhido pela Nari do meu BookClub, que recebeu uma cópia da editora antes da publicação para review. Todas nós gostamos da história, ou da maioria dela...  um dos poucos livros que não faltou assunto para conversa.

When She Woke relata o drama de Hannah Payne, numa América futurística controlada pela religião. Guerras devastaram países, e 'O grande Flagelo' deixou metade das mulheres estéreis. Los Angeles nada mais é do que uma grande bola radioativa. Com o sistema penitenciário falido, a crise obriga enormes cortes no orçamento. E para aliviar o sistema penitenciário e esvaziar as prisões,  o governo americano cria a 'melocromia', onde aqueles que cometem crimes têm sua pele tonalizada de acordo com o crime cometido—pequenas contravenções: Amarelo; crimes sexuais: Azul; Homicidas: Vermelho.

“Pelo menos ela ainda tinha seus olhos para lembrá-la quem era: Hannah Elizabeth Payne. Filha de John e Samantha. Irmã de Rebecca. Homicida de uma criança, sem nome. Hannah se pergunta se aquela criança herdaria os olhos melancólicos do pai e sua boca suave, sua sobrancelha arqueada e grossa e a pela alva.” (pag. 7)

Hannah se apaixona e acaba tendo um romance com o Reverendo Super-Famoso, Aidan Dale. Engravida e decide fazer um aborto numa clínica clandestina. Aborto é tratado como homicídio pelo novo Código Penal americano.

Hannah cresceu numa família cristã extremista, envolve-se com o reverendo de sua igreja - casado. Aidan,  devido a um ato-falho cometido antes do casamento, contraiu uma DST, ainda sem cura na época. A doença foi transmitida a esposa, que, pelo tempo que a cura foi encontrada, já havia perdido os ovários e nunca pôde ter filhos.


“Quero saber o nome dele. O nome do homem que te desonrou e te mandou abortar teu bebê.
Hannah balançou a cabeça involuntariamente, lembrando do dos lábios de Aidan em sua pele, beijando a curva de seu braço, a curva macia de seus pés; puxando suas pernas aparte para que sua boca tomasse posse de cada parte escondida de seu corpo. Para ela, aquilo não era desonra. Para ela parecia uma forma de adoração.”
(pag. 23)


É quando Hannah deixa a prisão que se dá conta do peso de ser Vermelha, a sociedade fecha suas portas para os 'cromos'. Não há onde morar, não há emprego. Uma nova era de segregação baseada na cor da pele. Rejeitada pela mãe, sem auxílio da irmã, Hannah conta com a ajuda limitada do pai para enfrentar sua nova realidade. Até ser encontrada pelos Novembristas, uma organização secreta que advoca o direito de escolha da mulher, nesse caso, o direito ao aborto, e condena o fato desse ato ser considerado e punido como homicídio.

Hannah se vê num dilema: aceita a proposta dos Novembristas - fugir para o Canadá onde se submeterá a um procedimento médico que a livrará da monocromia - ou, fica no Texas e cumpre sua sentença pelo crime cometido. Fugir  significa abandonar a família, Aidan, sem nunca olhar para trás, esquecer Hannah Payne e recomeçar do zero. Ficar é alimentar a esperança por Aidan, é enfrentar as acusações da mãe, a repressão do cunhado, o desapontamento do pai, e viver por quinze anos sendo lembrada diariamente daquela vida que não permitiu nascer.

Hillary Jordan não nega sua inspiração em The Scarlet Letter - A Letra Escarlate - do Nathaniel Hawthorne. Hannah Payne, assim como Hester Prynne, desafia a família, suas crenças e a sociedade, e sacrifica a si mesma, para proteger a identidade do homem que ama. Aidan Dale, bem como Arthur Dimmensdale, fica dividido entre sua posição como Ministro da Fé e o amor por Hannah. Porém a semelhança termina por aí. Na minha opinião, When She Woke trás muitos tópicos para discussão, a história é forte e controversa, leva-se um pouco de tempo para entender o estado em que a sociedade se encontra e se adaptar aos novos termos usados, mas não se consegue parar de ler. No entanto, há alguns tópicos que me incomodaram.


De certo Jordan tem como intuito realmente chocar o leitor e deixar claro que a Hannah daquele momento já não era mais a mesma Hannah do início da história, e que 'aquele' fato a afastaria definitivamente de qualquer possibilidade de existir Aidan e Hannah, mas acredito que a história poderia ter existido sem 'aquele' detalhe... quem ler vai entender mais tarde. Na minha opinião, já haviam elementos discutíveis o bastante na obra e aquela situação foi desnecessária. 


Outro detalhe é que os personagens masculinos são ou fracos, covardes, ou violentos - até os membros masculinos Novembristas submetem-se às imposições femininas. Também achei que Religião é mostrada de forma tão pejorativa que por vezes soa ofensivo. Incômodos a parte, valeu a pena a experiência de Quando ela Acordou, recomendado! ...  E quando terminei, bateu uma saudade daquelas de A Letra Escarlate e lembrei que ainda não comentei sobre essa obra aqui no blog. Hora de marcar um encontro com Hawthorne!


Sunday, March 18, 2012

My Horizontal Life (Chelsea Handler)

A primeira palavra que me vem a cabeça quando penso nesse livro é: LOUCURA!
A segunda é: HILÁRIO!
A terceira: SEXO!

Não é comum ouvir mulheres sexualmente ativas falando abertamente e contando ao mundo quão ativas elas são. Chelsea Handler com toda convicção não é uma delas. My Horizontal Life - Minha Vida na Horizontal, conta algumas das aventuras sexuais da comediante e apresentadora americana começando nos tempos do Ensino Médio, e se você pensa que ela só conta as experiências boas, com os carinhas bonitões... não se engane. Chelsea não tem pudor nem vergonha, compartilha as experiências mais embaraçosas e, muitas vezes, nojentas, de seus one-night stands “uma noite apenas”, com seus queridos leitores.

Quem me sugeriu o livro foi o marido, que decidiu comprar numa de suas viagens a trabalho quando esqueceu o Ipod — entenda bem, o marido não é fã de sentar e ler um livro, ele tem uma espécie de formiguinha interna sabe? Por isso ele prefere livros em audio, pela comodidade... então, se ele comprou o livro, e chegou a terminá-lo, só poderia ser por dois motivos: 1. Era muito, mas muito engraçado; 2. Falava muito sobre sexo. Ele disse que era o número um, mas após ler o livro, tenho certeza que a resposta era o número dois! — “Ela é uma whore e alcoólatra, mas é engraçada.” disse o marido.

“Nem por um segundo eu cheguei a pensar que ele teria um pipi pequeno. ‘Pequeno’ é uma palavra generosa quando se tenta descrever uma coisa do tamanho de uma salsicha enlatada. Essa coisa era menor do que meu dedão do pé. Não era nem parecido com um pênis, parecia mais um pedaço extra de pele. Fiquei mortificada. Eu tinha que arranjar um jeito de sair dali.” (pag. 72)

Mas claro, nem só de sexo fala o livro. Chelsea também dedica alguns capítulos contando de forma sátira, como foi crescer como a caçula numa família de seis filhos, de pai judeu e mãe mormon. Os conflitos com o pai, o relacionamento com os irmãos, e amigos. Como não poderia ser diferente, a história é contada de forma extremamente coloquial e direta, com muito cinismo e comicidade, Chelsea não deixa barato e faz muita piada de si e das situações em que se mete tentando saciar seu vício por sexo.

“Ver sua mãe pelada não é uma situação fácil de se recuperar. Ver sua mãe pelada e pulando de um lado para o outro de uma cama tamanho king, usando um chapeuzinho de enfermeira enquanto seu pai, também pelado, persegue-na com um lenço enrolado no pescoço, é motivo para se implorar para ser posto para adoção.” (pag. 2)